Jacob: deputados recebiam R$ 6 milhões mensais; Juiz manda soltar Felipe Picciani

Principal dono das empresas de ônibus do Rio de Janeiro, o empresário Jacob Barata Filho, conhecido como “Rei dos Ônibus, confirmou que as companhias do setor mantinham um caixa paralelo para pagar agentes públicos. Ele prestou depoimento nesta sexta-feira(24), ao juiz Marcelo Bretas. Também prestou depoimento Lélis Teixeira, ex-presidente da Federação das Empresas (Fetranspor), que  admitiu a existência do que os procuradores da Lava Jato chamam de “Caixinha da Fetranspor”, que arrecadaria até R$ 6 milhões por mês para pagar vantagens indevidas a políticos.

O esquema começou há 20 anos e, segundo os réus, beneficiou o presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani, que teria recebido da caixinha por cinco anos. Defesa do deputado afirma que depoimento de Barata Filho “levanta apenas conjecturas” (leia íntegra abaixo).

Réus na Operação Cadeia Velha, desdobramento da Lava Jato, Barata Filho e Lélis depõem a Bretas na tarde desta sexta-feira (24). Também é ouvido um dos filhos de Picciani, Felipe.

“Havia um acordo de pagamento para o deputado Jorge Picciani. O objetivo exatamente, a forma de pagamento, eu não sei precisar. Mas realmente o Jorge Picciani, como presidente da Alerj, teria que ter essa contribuição porque os projetos todos passam pela Assembleia”, afirmou.

Bretas manda soltar Felipe Picciani, acusado de lavagem de dinheiro

O juiz Marcelo Bretas mandou soltar Felipe Picciani, filho do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani. Felipe foi ouvido hoje (24) sobre seu possível envolvimento em lavagem de dinheiro, através da fazenda da família, que ele gerencia, com foco na compra e venda de gado para reprodução.

Felipe Picciani estava preso há nove meses e meio, no âmbito da Operação Cadeia Velha. “Determino sua revogação. São nove meses e isso tem que ser levado em consideração. A eventual participação em organização criminosa não me parece robusta. Acho que isto não é o bastante para manter a prisão preventiva”, disse Bretas, após pedido feito pelo advogado Rafael Faria, que defende Felipe Picciani.