Representantes de hospitais filantrópicos de Campos se reuniram nesta quarta-feira (31), no auditório da Associação Comercial e Industrial de Campos (Acic), para alertar as autoridades e população sobre a real situação das unidades que, segundo a maioria, caso dentro de no máximo 10 dias não se resolva, corre o risco de não poder atender mais pacientes e nem mesmo os que já estão internados, o que classificam de “colapso total”. Os representantes dos hospitais culpam, especialmente, o governo municipal pela crise instalada, não somente o atual, mas também os governos anteriores que deixaram dívidas(Confira vídeo da coletiva acima. Aguarde carregamento)
Entre as más notícias apresentadas, destaca-se a que foi dada pelo representante do Hospital dos plantadores de Cana, Frederico Paes: A partir de amanhã (quinta-feira), estão encerrados temporariamente os serviços de Urgência Ginecológica, Enfermaria Pediátrica e parte da UTI Adulto no HPL, além dos outros que vem sendo oferecidos de forma precária.
Alguns hospitais já paralisaram diferentes serviços e outros trabalham de forma parcial. Na Beneficência Portuguesa, por exemplo, já estão parados os setores de Ortopedia (uma das referências na especialidade em Campos) e Oftalmologia. O diretor técnico do hospital, Jorge Luiz Miranda, explica que os serviços classificados como essenciais continuam, como Oncologia e Maternidade, entre outros. Mas estes também podem pode sofrer consequências, já que médicos e profissionais da unidade estão com salários atrasados.
O diretor geral do Hospital Escola Álvaro Alvim, José Manoel Moreira, diz que na unidade foram afetados o setor de Clínica Médica e internação em CTI. “O problema são os medicamentos. Para os pacientes internados tem medicamento ainda, mas para novos pacientes não temos. A situação está inviável e, infelizmente, pode piorar caso a gente não tenha uma solução financeira imediata”, acrescenta José Manoel Moreira.
DÍVIDAS
De acordo com a Beneficência Portuguesa, a dívida que a prefeitura de Campos tem para com a unidade chega aos R$ 14 milhões, a contar a partir de 2014, até os dias atuais. Deste total R$ 9 milhões são dos governos anteriores e R$ 5 milhões do governo atual.
Na Santa Casa de Misericórdia a dívida já chegou aos R$ 10 milhões, iniciada em 2014 (sem auditoria e com reconhecimento) e se estendendo até os dias atuais.
No Hospital Escola Álvaro Alvim a dívida é de R$ 5 milhões e 500 mil relativa aos últimos três meses e mais uma dívida da gestão passada. No Hospital Plantadores de Cana a dívida chegou aos R$ 13 milhões e 600 mil.
RESPONSABILIDADE
De acordo com os representantes dos hospitais presentes à coletiva de imprensa, as dívidas anteriores não são mais dos governos anteriores e, sim, da prefeitura de Campos que teria que arcar com elas, além de cumprir integralmente o ano de 2017. “Em novembro do ano passado o prefeito Rafael Diniz e a secretária de Saúde chamou cada um de nós e perguntou quanto a gente precisava para “rolar” até dia 20 de janeiro. Foi fechado acordo e depois desse prazo do dia 20, não houve mais conversa nenhuma. Nós estamos sem solução”, explica Frederico Paes.
Os hospitais afirmam ainda que, além dos funcionários estarem com seus salários atrasados, o que pode implicar em paralisação, os fornecedores também não querem mais atendê-los, por causa dos atrasos. “Como manter os serviços sem material e medicamentos?”, questiona o diretor da Beneficência Portuguesa, Jorge Miranda.
Hospitais de Campos podem suspender atendimentos
Circula nas redes sociais um comunicado informando a grave situações de quatro hospitais filantrópicos de Campos – Santa Casa de Misericórdia, Álvaro Alvim, Plantadores de Cana e Beneficência Portuguesa. A nota diz que devido o não pagamento por parte da Prefeitura pode fazer com que as unidades de saúde suspendam o atendimento.
O comunicado diz que “É preciso receber pelos serviços prestados, pois não há como pagar funcionários, médicos, ou até mesmo comprar alimentação, remédios e materiais indispensáveis para o atendimento à população mais carente, dependente do SUS, que não tem a assistência de um plano de saúde’, que pode levar ao fechamento imediato das unidades.
A nota informa ainda que, nesse período o problema pode se agravar, devido ao feriado prolongado de Carnaval. ‘É inaceitável que morram pessoas por causas evitáveis e esta probabilidade é real e evidentemente previsível, fruto da inércia e insensibilidade da Administração Pública Municipal”, diz o comunicado.
Foi informado também que foram apresentadas diversas tentativas de negociação com os representantes públicos, mas todas elas, sem sucesso. ‘Os dirigentes hospitalares já fizeram inúmeras tentativas de negociação com os administradores públicos municipais, todas elas totalmente infrutíferas’.
A nota termina alertando o povo campista. ‘Por todo o exposto, alertamos o povo de Campos e conclamamos as autoridades municipais, estaduais e federais no âmbito do Executivo, Judiciário e Legislativo, para que cada uma, com suas atribuições e responsabilidades, tomem as providências que levem à solução imediata do problema: totalmente alheio à vontade dos dirigentes e entidades hospitalares signatários deste documento’, finaliza o comunicado.
O Campos 24 Horas entrou em contato com a Prefeitura e aguarda um posicionamento sobre o caso.
