O número de policiais mortos no primeiro semestre deste ano no Rio de Janeiro chegou a 85, contra 22 em São Paulo e 10 em Pernambuco. Pouco mais de um mês do início do segundo semestre, o número já chega a 97 no Rio. Só no último fim de semana, três policiais morreram em menos de 24 horas.
O antropólogo e especialista em segurança pública, Paulo Storani, afirma que o Brasil tem um “fracasso do modelo” e que existe um sistema de justiça criminal que também é responsável por enfrentar a criminalidade.
“A lei é extremamente permissiva. Nós temos um judiciário muito condescendente, nós temos uma Polícia Civil com baixa capacidade de elucidação de crimes, identificação dos criminosos, levando ao crime, e apostando sempre na prisão em flagrante que, muitas das vezes, na maior parte, é feita pela Polícia Militar. Mesmo assim, quando vai para uma audiência de custódia na prisão em flagrante, a tendência hoje do judiciário é manter esse criminoso respondendo em liberdade, talvez esperando que ele vá procurar um emprego com carteira assinada, mas na verdade, ele volta a delinguir. O sistema acaba se retroalimentando. Mesmo a polícia trabalhando, esgotou-se o modelo”, disse Storani.
Se continuarmos pensando que o criminoso é um pobre coitado, depossuído, que não tem oportunidade e por isso ele vai delinguir e tratando ele dessa maneira e não penalizando quando o crime for cometido nós estamos se tornando um bando de cordeiro sendo atacados pelos lobos sem os cães pastores para protege-los.
Secretário cobra reforma criminal
O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, voltou a pedir mudança na legislação criminal brasileira e lamentou o número de 97 PMs assassinados em 2017 no estado.
“É um número alarmante que nos deixa muito tristes, muito perplexos e que nos leva à seguinte reflexão: é uma polícia que está nas ruas, é uma polícia que se doa, são heróis que estão morrendo. Não tenham dúvidas que a tente mergulha nos nossos protocolos, nossas estratégias, dias após dia, para poder melhorar. Mas, me parece, que isso no Rio de Janeiro e no Brasil não tem sido suficiente para a gente ter uma sociedade cujo o criminoso reflita antes de sair praticante crime”, disse Roberto Sá.
Número de PMs vítimas de violência em 2017, segundo a PM:
ASSASSINADOS:
MORTOS EM SERVIÇO – 21
FOLGA – 56
REFORMADOS – 20
TOTAL – 97
FERIDOS:
EM SERVIÇO – 213
FOLGA – 86
REFORMADOS – 6
TOTAL – 305
Fonte: G1