Resposta ao estudo da Ong Mexicana acerca das cidades mais violentas do mundo

Um dos temas mais comentados no dia de hoje em Campos dos Goytacazes diz respeito a divulgação da pesquisa publicada pela ONG Mexicana Seguridad, Justicia Y Paz. Questionamentos importantes com relação aos dados publicados precisam ser feitos para que seja dado o devido valor ao estudo. Salienta-se que o referido estudo utiliza diversas fontes de dados, oficiais ou não. Dentre as fontes não oficiais pode-se citar as matérias jornalísticas. Neste escopo, em relação aos dados do município de Campos dos Goytacazes, faz-se necessário ressaltar a excelência do trabalho desenvolvido pelo Instituto de Segurança Público do Rio de Janeiro, que é responsável por consolidar e publicar os dados estatísticos oficiais de segurança pública deste estado.

Devido à falta de dados necessários para realizar comparações, pois algumas cidades não possuíam dados de janeiro à dezembro de 2016, foram realizadas estimativas para completar os dados dos meses faltantes. Ademais, muitas cidades brasileiras com população superior à 300 mil habitantes e elevado índice de homicídios não foram incluídos no estudo. Dessa forma, haja visto os citados parâmetros da análise, pergunta-se: será que o estudo levou em consideração de fato TODAS as cidades dentro dessa amostra no mundo, como se propôs? Ou, dado a ausência de várias cidades, a escolha foi aleatória? As fontes referentes aos dados de Campos dos Goytacazes são verídicas, entretanto, a fonte das taxas de outras cidades não permite uma comparação equitativa com o nosso município, o que muito prejudica uma análise precisa do fato proposto pela pesquisa.

É fato que os índices apresentados ainda são altos para a cidade, o que reforça a necessidade de continuidade do trabalho das forças de segurança, mesmo com os efeitos do crescimento populacional e da crise econômica que assola o país há alguns meses e, principalmente, em um período de aumento dos índices de desemprego em todo país e da crise no setor petrolífero que atinge significativamente toda região Norte e Noroeste Fluminense.

Destacamos aqui a necessidade de ações voltadas para a população jovem, maior vítima e autora de homicídios em nosso país. Entretanto, a validação de dados de qualquer estudo deve passar antes de tudo por uma análise dos critérios e metodologia que levam a conclusões geradoras de clamores que podem não corresponder efetivamente à realidade. Sendo assim, destaca-se que as instituições de segurança tem trabalhado com afinco e objetivo de reduzir os índices de criminalidade, os quais tem sido obtidos êxito.

Além disso, devido à sua importância estratégica na conjuntura econômica e social do Estado do Rio de Janeiro e devido ao aporte infraestrutural que proporciona à grandes investimentos na região, como o Porto do Açu, o município de Campos dos Goytacazes recebe uma atenção especial do Governo do Estado, no que tange à segurança pública.

Ressaltamos sempre a necessidade de envolvimento e comprometimento da população no enfrentamento à criminalidade, através de denúncias e informações às instituições competentes, bem como através de fiscalização e cobrança das ações necessárias.

ISP divulga dados do mês de abril de 2017

Em abril de 2017 foram registradas 430 vítimas de homicídio doloso no estado do Rio de Janeiro, indicando uma redução de 45 vítimas, ou 9,5%, quando comparado com o mesmo período de 2016. Em relação ao mês de março de 2017, foram 67 vítimas a menos. O indicador Letalidade Violenta (homicídio doloso, lesão corporal seguida de morte, latrocínio e homicídio decorrente de oposição à intervenção policial) apresentou redução de 6,2%, comparado com abril de 2016.

As Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP) 02 (Catete, Cosme Velho, Flamengo, Glória, Laranjeiras, Botafogo, Humaitá e Urca), 04 (Catumbi, Cidade Nova, Estácio, Rio Comprido, Centro (parte), Caju, Mangueira, São Cristóvão, Vasco da Gama, Maracanã, Tijuca (parte) e Praça da Bandeira) e 38 (Paraíba do Sul, Comendador Levy Gasparian, Areal, Três Rios e Sapucaia) não apresentaram nenhum homicídio doloso em abril.

Já as AISP que apresentaram maior queda de vítimas de homicídio no mês de abril de 2017, em comparação com o mês de abril de 2016, foram: AISP 08 (Campos dos Goytacazes, São Francisco de Itabapoana, São Fidélis e São João da Barra), 24 (Seropédica, Itaguaí, Paracambi, Queimados e Japeri), 32 (Casimiro de Abreu, Conceição de Macabu, Macaé, Rio das Ostras, Quissamã e Carapebus), 21 (São João de Meriti) e a 7 (São Gonçalo) com, respectivamente, 16, 13, 12, 12 e 11 vítimas a menos.

O ISP divulga as incidências Criminais e Administrativas de Segurança do Estado do Rio de Janeiro referentes ao mês de abril de 2017. Os dados são referentes aos Registros de Ocorrência (RO) lavrados nas delegacias de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro durante o mês. Cabe ressaltar que, devido à paralisação de algumas atividades da Polícia Civil, finalizada em 07 de abril, houve uma atípica subnotificação de determinados delitos nos primeiros meses do ano. Uma parte dos registros on-line que foram efetuados nesse período começou a ingressar no sistema da Polícia Civil no mês de março, passando a fazer parte das estatísticas do delito nos meses de março e abril. Os dados divulgados pelo ISP correspondem à data da comunicação do fato. Os títulos de Letalidade Violenta (Homicídio Doloso, Latrocínio, Homicídio Decorrente de Oposição à Intervenção Policial e Lesão Corporal Seguida de Morte) e Roubo de Veículo não foram afetados, pois os registros desses delitos continuaram a ser feitos nas delegacias.

Para ter acesso aos índices oficiais do estado, clique aqui.

Para acessar o resumo de indicadores com mais informações sobre as áreas do estado, clique aqui.

Resumo de alguns indicadores (abril de 2017):

• Homicídio Doloso – Redução de 9,5% em relação a abril de 2016 (475 em 2016 – 430 em 2017).
• Letalidade Violenta (Homicídio Doloso, Latrocínio, Lesão Corporal Seguida de Morte e Homicídio Decorrente de Oposição à Intervenção Policial) – Redução de 6,2% em relação a abril de 2016 (569 em 2016 – 534 em 2017).
• Policiais Civis e Militares Mortos em Serviço – Aumento de três vítimas em relação a abril de 2016 (4 em 2016 – 7 em 2017).
• Homicídio Decorrente de Oposição à Intervenção Policial – Aumento de 3,8% em relação a abril de 2016 (78 em 2016 – 81 em 2017).
• Roubo a Transeunte – Aumento de 26,2% em relação a abril de 2016 (6.774 em 2016 – 8.551 em 2017).
• Roubo de Veículo – Aumento de 50,1% em relação a abril de 2016 (3.259 em 2016 – 4.891 em 2017).

Indicadores de produtividade policial (abril de 2017):

• Recuperação de Veículo – Aumento de 45,5% em relação a abril de 2016 (2.392 em 2016 – 3.481 em 2017).
• Armas Apreendidas – Redução de 5,1% em relação a abril de 2016 (786 em 2016 – 746 em 2017), sendo 20 fuzis.
• Prisões (Guia de Recolhimento de Preso) – Aumento de 2,7% em relação a abril de 2016 (3.357 em 2016 – 3.447 em 2017).
• Prisões (Auto de Prisão em Flagrante e Cumprimento de Mandado) – Redução de 1,5% em relação a abril de 2016 (4.282 em 2016 – 4.219 em 2017).
• Apreensões de Adolescentes (Guia de Apreensão de Adolescente Infrator) – Redução de 18% em relação a abril de 2016 (851 em 2016 – 698 em 2017).
• Apreensões de Adolescentes (Apreensão de Adolescente por Prática de Ato Infracional e Cumprimento de Busca) – Redução de 18,1% em relação a abril de 2016 (904 em 2016 – 740 em 2017).

RELEMBRE – Campos entre as 50 cidades mais violentas do mundo

A constatação é da organização não-governamental mexicana Seguridad, Justicia Y Paz, que todos os anos conduz uma abrangente pesquisa global que avalia as taxas de homicídios em cidades com mais de 300 mil habitantes. O levantamento produz, ainda, um ranking que mostra quais são as mais violentas.

Na edição 2017 do estudo, as nove primeiras colocações dessa lista são ocupadas por cidades latinas de países como Venezuela, México, Honduras e El Salvador. O Brasil, embora não conte com representante entre as nove do topo, está fortemente presente com nada mais, nada menos que 19 cidades, sendo Natal (Rio Grande do Norte) a mais violenta delas.

Para a entidade, os índices de violência na América Latina não são surpreendentes quando se lembra que a região é campeã em impunidade em crimes violentos. Na Venezuela, El Salvador e Honduras, por exemplo, 95% dos homicídios não rendem condenações aos seus autores, No Brasil esse índice é de 92%.

Posição Cidade País Taxa de homicídios (cada 100 mil habitantes)
1 Caracas Venezuela 130.35
2 Acapulco México 113.24
3 San Pedro Sula Honduras 112.09
4 Distrito Central Honduras 85.09
5 Victoria México 84.67
6 Maturín Venezuela 84.21
7 San Salvador El Salvador 83.39
8 Ciudad Guayana Venezuela 82.84
9 Valencia Venezuela 72.02
10 Natal Brasil 69.56
11 Belém Brasil 67.41
12 Aracaju Brasil 62.76
13 Cidade do Cabo África do Sul 60.77
14 ST. Louis Estados Unidos 60.37
15 Feira de Santana Brasil 60.23
16 Vitória da Conquista Brasil 60.10
17 Barquisimeto Venezuela 59.38
18 Cumaná Venezuela 59.31
19 Campos dos Goytacazes Brasil 56.45
20 Salvador Brasil 54.71
21 Cali Colômbia 54.00
22 Tijuana México 53.06
23 Guatemala Guatemala 52.73
24 Culiacán México 51.81
25 Maceió Brasil 51.78
26 Baltimore Estados Unidos 51.14
27 Mazatlán México 48.75
28 Recife Brasil 47.89
29 João Pessoa Brasil 47.57
30 Gran Barcelona Venezuela 46.86
31 Palmira Colômbia 46.30
32 Kingston Jamaica 45.43
33 São Luís Brasil 45.41
34 Nova Orleans Estados Unidos 45.17
35 Fortaleza Brasil 44.98
36 Detroit Estados Unidos 44.60
37 Juárez México 43.63
38 Teresina Brasil 42.84
39 Cuiabá Brasil 42.61
40 Chihuahua México 42.02
41 Obregón México 40.95
42 Goiânia e Aparecida de Goiânia Brasil 39.48
43 Baía de Nelson Mandela África do Sul 39.19
44 Armênia Colômbia 38.54
45 Macapá Brasil 38.45
46 Manaus Brasil 38.25
47 Vitoria Brasil 37.54
48 Cúcuta Colômbia 37.00
49 Curitiba Brasil 34.92
50 Durban África do Sul 34.43

Fonte: Exame