Procurador preso após denúncias da JBS; Janot fala sobre prisão

Angelo Goulart Villela, citado na delação do frigorífico JBS como beneficiário de propina para repassar informações confidenciais da Operação Greenfield, que investiga fraudes em fundos de pensão e de cuja força-tarefa ele fazia parte, é um dos procuradores eleitorais que foram à tribuna do Congresso Nacional defender o projeto de 10 Medidas Contra a Corrupção em junho de 2016. Ele chegou a ser incluído em um grupo do Ministério Público Federal que tinha o objetivo de defender a proposta.

Janot diz que prisão de procurador tem gosto amargo, mas era necessária

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que a operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira tem um “gosto amargo” para o Ministério Público (MP). Isso porque um dos presos foi o procurador da República Ângelo Goulart Villela, suspeito de atrapalhar as investigações da Operação Greenfield e de repassar informações ao empresário Joesley Batista, do grupo J&F, ao qual pertencem o frigorífico JBS e a marca Friboi. Foi o próprio Janot quem pediu a prisão de Villela.

“A meu pedido, o ministro Edson Fachin determinou a prisão preventiva do procurador da República Ângelo Goulart Villela e do advogado Willer Tomaz. A medida está embasada em robusta documentação, coletada por meio de ação controlada. As prisões preventivas de ambos foram por mim pedidas com o objetivo de interromper suas atividades ilícitas”, escreveu Janot em mensagem encaminhada aos procuradores da República.

Vilella foi preso por agentes da PF e dois procuradores regionais da República. Eles apareceram no apartamento do investigado por volta das 6h. Apreenderam documentos e equipamentos eletrônicas e deixaram o local por volta das 9h30. Além de ser preso, Villela também foi afastado de suas funções no MPF e exonerado do cargo de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE). Janot ainda o afastou da força-tarefa da Operação Greenfield, que investigava Joesley por desvios em fundos de pensão.

“O membro e o citado advogado são investigados por tentativa de interferir nas investigações da referida operação, que envolve o Grupo J&F, e de atrapalhar o processo de negociação de acordo de colaboração premiada de Joesley Batista. A responsabilidade criminal do procurador e dos demais suspeitos atingidos pela operação de hoje será demonstrada no curso do processo perante os juízos competentes, asseguradas todas as garantias constitucionais e legais”, escreveu Janot.

“O sucesso desta etapa, contudo, tem um gosto amargo para a nossa Instituição”, disse Janot em outro ponto da mensagem encaminhada aos procuradores. Ele destacou que o cargo de procurador-geral da República impõe a tomada de decisões difíceis, como foi o caso do pedido de prisão. Segundo Janot, nesses momentos é preciso cumprir de forma irrestrita a Constituição.

“Há três anos, revelou-se um esquema criminoso que estarrece os brasileiros. As investigações realizadas pelo Ministério Público Federal e outros órgãos públicos atingiram diversos níveis dos Poderes da República em vários Estados da Federação e, aquilo que, até então, estava restrito aos círculos da política e da economia, acabou chegando à nossa Instituição”, avaliou Janot.

Fonte: O Globo