Com a cidade de Magé em estado de emergência financeira, o prefeito Rafael Tubarão anunciou uma série de medidas para cortar gastos. Uma delas foi a redução de seu próprio salário e a diminuição de oito secretarias. Tubarão explica que a de Obras será a mais afetada.
Qual o motivo do decreto?
Nossa arrecadação abaixou muito. Ainda temos a peculiaridade do bloqueio dos royalties do petróleo desde fevereiro. Magé recebia de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões por mês. No último mês, conseguimos receber apenas R$ 650 mil. Sem contar a queda dos repasses estaduais. Há um ano, trabalhávamos com R$ 35 milhões por mês. Hoje esse orçamento é de R$ 27 milhões. Uma perda de quase R$ 10 milhões por mês.
O que o decreto determina?
Uma das medidas foi diminuir oito secretarias. Elas ficarão incorporadas em outras pastas até a situação melhorar. Cortei 25% do meu salário (de R$ 16.033,88, passou para R$ 12.025,41) e também o do vice, além de 15% dos saláraios dos secretários (de 8.417,78, para R$ 7.155,12). O objetivo é enxugar a folha para não mandar muita gente embora. Também não estamos deixando ninguém fazer hora extra. Temos que nos readequar à nova realidade do município.
A população vai sentir esse decreto nas ruas?
Estamos fazendo tudo para que isso não aconteça. Lógico que está difícil, mas estamos fazendo o possível. Está difícil pagar máquinas, equipamentos, iluminação pública. Nós usávamos os royalties, por exemplo, para comprar remédio. Os problemas estão aparecendo, e estamos correndo para solucionar.
E os servidores municipais?
Desde que assumi, nunca atrasei pagamento. Sempre foi pago em dia. Essas adequações são para isso: para quem está dentro da prefeitura não ter que passar por falta de pagamento.
Com todos esses cortes, vocês esperam economizar quanto?
A economia deve ser de R$ 1 milhão por mês, mas a gente quer ajustar para chegar em R$ 2 milhões. Vamos cortar custos também em serviços, máquinas e equipamentos. Vamos diminuir o ritmo de obras na cidade, não de todas, mas vamos diminuir. Vamos focar mais em fazer a manutenção dos serviços públicos básicos. Por isso, a Secretaria de Obras é a que vai sofrer mais um pouco com isso. Educação e Saúde são prioridades, junto com a manutenção e a limpeza da cidade.
Fonte: Extra