Operação Machadada: preso por falso testemunho é liberado

21/05/2016    07h51    |    Foto: Isaías Fernandes/O Diário
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Uma pessoa foi presa por falso testemunho na audiência da Operação Machada, em São João da Barra.

O primeiro a prestar depoimento foi o delegado Paulo Cassiano. Em seguida, foi a vez de Antônio Manoel Mariano “Camarão”, e posteriormente Arlindo Ribeiro da Conceição, que recebeu voz de prisão após o juiz entender que Arlindo estaria dando falso testemunho. Ele foi encaminhado à delegacia da Polícia Federal (PF).

A audiência será retomada na próxima quarta-feria (25) para a oitiva de 15 testemunhas restantes.

Atualizado às 23h37 – A Polícia informou que Arlindo foi liberado durante a noite deste sábado, em razão de decisão judicial.

A AUDIÊNCIA

O Delegado Federal Paulo Cassiano foi ouvido pelo juiz Leonardo Cajueiro d’Azevedo, da 37ª Zona Eleitoral de São João da Barra, na tarde desta sexta-feira (20) durante uma audiência da Operação Machadada, no Fórum do município.

Paulo Cassiano disse que a operação teve início após ser procurado por quatro denunciantes que informaram sobre uma possível tentativa de políticos ligados a ex-prefeita Carla Machado tentando manipular o processo eleitoral, oferecendo vantagens.como oposição de um outro grupo político. Além disso, ele relatou que somente após adquirir provas, solicitou expedição de mandados de prisão e de busca e apreensão contra os denunciados, junto ao ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).

Ainda em depoimento, o delegado disse que durante as investigações aconteceram alguns encontros com os denunciantes fora da delegacia, pois eles alegavam que presença deles na sede policial poderia atrapalhar as investigações. Os encontros teriam ocorrido em uma casa no município, esquina da delegacia e até mesmo em um prédio comercial em Campos.

A audiência seguiu durante a madrugada deste sábado (21). O depoimento do delegado durou mais de seis horas.

Gravações entregues à Polícia Federal

Foram incluídas no processo algumas gravações que teriam sido entregues por candidatos procurados pelo grupo da ex-prefeita Carla Machado.

A suposta quadrilha liderada pela ex-prefeita teria oferecido dinheiro e cargos na prefeitura  a esses candidatos para que desistissem das candidaturas, aumentando a base na Câmara Municipal.

Juiz libera testemunhas

O juiz Leonardo Cajueiro liberou as testemunhas Tino Ticalú, o ex-candidato a vereador e também a vereadora Sonia Pereira.

RELEMBRE

O Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra os envolvidos na Operação Machadada, realizada em 2012, em São João da Barra. O alvo das investigações é a ex-prefeita Carla Machado. Seis envolvidos no esquema são acusados de formação de quadrilha pela Procuradoria Regional Eleitoral. Entre eles, a ex-prefeita, o atual prefeito Neco e o vice-prefeito, Alexandre Barbosa, além de dois vereadores e dois candidatos à Câmara.

O caso foi divulgado em outubro de 2012, quando a Polícia Federal denunciou um esquema de compra de votos em São João da Barra. Segundo as investigações, candidatos a vereador de oposição teriam desistido de concorrer nas eleições municipais em troca de dinheiro e benefícios.

Em uma das gravações feitas pela Polícia Federal, a ex-prefeita Carla Machado estaria negociando com um candidato o valor que seria pago caso ele desistisse da candidatura. Carla Machado e Alexandre Rosa chegaram a ser presos, mas foram soltos depois de pagarem fiança. Os advogados de Carla Machado, Neco e Alexandre Rosa informaram que eles só vão se manifestar depois que forem notificados.

Prisões

A Polícia Federal (PF) prendeu em flagrante durante a ‘Operação Machadada’, a prefeita de São João da Barra (SJB), Carla Machado (PMDB), e o vereador Alexandre Rosa (PMDB), candidato a vice-prefeito de SJB pela Coligação São João da Barra Não Pode Parar, que tem como candidato a prefeito Neco (PMDB). Os dois estão na sede são acusados de formação de quadrilha e captação ilícita de sufrágio (compra de votos).Carla Machado foi presa por agentes da PF depois de ter participado de um comício de Neco, na Praia de Grussaí, quando estava a caminho de uma pousada, na Praia de Atafona. Já a prisão de Alexandre Rosa aconteceu na localidade de Água Santa, no 5º distrito de SJB, na casa do candidato Neco.

Carla e Alexandre pagaram fiança e foram liberados na manhã de quarta-feira, por volta das 7h30, após exame de Corpo de Delito no Instituto Médico Legal(IML).

Formação de quadrilha e compra de apoio

A motivação da prisão de Carla Machado e de Alexandre Rosa foi em  decorrência de várias gravações de áudio e vídeo, além de depoimentos. Numa das gravações, a Prefeita aparece oferecendo R$ 60 mil para que o comerciante Rodrigo de Abreu Rocha, 33 anos, candidato a vereador de SJB pelo PR, deixasse de apoiar o candidato a prefeito Betinho Dauaire (PR), da Coligação São João da Barra Vai Mudar Para Melhor, e passasse a apoiar a candidatura de Neco. Alexandre Rosa também aparece na gravação durante as negociações, que teriam sido iniciadas com o valor de R$ 80 mil.

Carla Machado, Alexandre Rosa, Neco e mais três pessoas vão responder pelo artigo 41 A, da Lei Nº 9.504, de 30 de setembro de 1997 (captação ilícita de sufrágio – compra de votos), que prevê pena de multa de mil Ufirs (R$ 2.275,20) a 50 mil Ufirs (R$ 113.760,00) e cassação do registro ou do diploma, além do artigo 288 do Código Penal (formação de quadrilha para o fim de cometer crimes), punido com reclusão (prisão) de um a três anos.