Como estariam os pacientes de Alzheimer e Parkinson se não existisse um Centro especializado?

10/04/2016    07h39    |    Foto: Campos 24 Horas
Centro de Alzhimer Dr Vanderson Carvalho-CF (6)
Postado por: Fabiano Venancio
Está mais do que comprovado que o país está envelhecendo e duas doenças típicas deste período de vida são o Mal de Parkinson e o Alzheimer que, por serem degenerativas, podem acabar agregando outras doenças aos pacientes, caso eles não tenham um acompanhamento médico rigoroso. A população de Campos não está fora desta estatística, prova disso é que hoje cerca de 500 pessoas com Parkinson e aproximadamente 3 mil outras com Alzheimer são tratadas aqui.

Até aí pouco novidade. O que muitos não sabem mesmo é que em Campos existe um centro multidisciplinar exclusivo para tratar o paciente que tenha uma ou outra doença ou, até mesmo, as duas, o que é raro, mas pode acontecer. O Centro Municipal Multidisciplinar de Parkinson e Alzheimer, ligado à secretaria de Saúde, funciona na rua Marechal Deodoro, nº 90, quase esquina com rua Saldanha Marinho. Mas quem pensa que lá são tratados somente os pacientes, está enganado.

O neurologista Vanderson Carvalho Neri, mestre em neurologia e doutorando na especialidade, explica que o Centro de Campos é referência na região Norte e Noroeste, recebendo pacientes de São João da Barra, São Francisco do Itabapoana, São Fidélis, Itaperuna, entre outros municípios. O que é pior é que nestas cidades falta um local específico para tratar essas doenças, mas em todo o país falta profissional especializado em ambas as especialidades.
entrevistaCentro de Alzhimer Dr Vanderson Carvalho-CF (4)Campos 24 Horas – Os pacientes podem vir ao Centro se consultar para saber se têm a doença? Como chegam aqui?

Vanderson Carvalho – Não. Eles vêm encaminhados por outros serviços, já com a indicação médica, geralmente da rede pública, embora tenhamos aqui alguns pacientes também encaminhados pela rede particular, mas todos com suspeita de uma ou outra doença. E chegam novos pacientes toda semana. Aqui tem dois grupos de ambulatório: Um para demência, especialidade Alzheimer, e outro para Parkinson.

C24H – Sim, mas a partir daí, doutor?

Vanderson – Feita a triagem, como já disse, ele vai para um ambulatório ou outro, de acordo com a doença. Dentro do seguimento ambulatorial, existe um protocolo médico, com equipe de fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia, médico geriatra, médico neurologista, enfermeiro e assistente social. E o tratamento pode ser medicamentoso e de reabilitação.

C24H – E tudo é feito aqui dentro? E as probabilidades de cura?

Vanderson – Claro. Após o diagnóstico de Parkinson, tem que começar logo a reabilitação com fisioterapeuta e com fonoaudiólogo. No caso do Alzheimer pode também ter a necessidade disso tudo. Não existe cura, são doenças degenerativas do sistema nervoso central, pelo menos as duas mais comuns hoje.

C24H – E as causas dessas doenças? E os sintomas?

Vanderson – Não têm causas pré-estabelecidas, tem uma base genética, gens que podem desencadear a doença, geralmente, a partir dos 60 anos. A pessoa já nasce com esse gen e, ao longo da vida, pode manifestar a doença ou não. Os sintomas no caso do Alzheimer são a síndrome demencial que afeta o raciocínio, a memória, a linguagem, a inteligência, a orientação, ou seja, esquecimento, desorientação de espaço e tempo, entre outros. Os sintomas do Parkinson são alteração motora, tremor, rigidez, lentidão de movimentos, alteração de equilíbrios e quedas.
Vanderson CarvalhoC24H – Uma pergunta grosseira, doutor. Se não tem cura, qual o resultado do tratamento?

Vanderson – O tratamento é para o paciente ganhar mais qualidade de vida, para ele poder se manter no meio em que vive, porque como já disse, são doenças progressivas, por isso a importância do tratamento. Se não houver esse tratamento o risco dele ficar em cima da cama é muito grande e com isso vêm os problemas por ele estar acamado. Sem contar as quedas que geram outros problemas.

C24H – O papel do cuidador neste caso é muito importante, não? O Centro trabalha a conscientização dele?

Vanderson – Sim, embora não haja um programa específico, o cuidador (aliás, em todo o tratamento o cuidador é obrigado a estar presente) é orientado sobre a doença e como ajudar a tratar o paciente, porque o papel dele é de fundamental importância. Nesta próxima semana estaremos dentro da semana em que se comemora o Dia Mundial do Parkinson e tudo isso será levantado.

C24H – E o que terá em Campos para marcar essa data?

Vanderson – O Dia Mundial é segunda-feira (11), mas aqui vamos realizar um evento na quarta-feira (14), uma Conferência Científica, que será realizada na Sociedade Fluminense de Medicina e Cirurgia (SFMC), a partir das 19h. Estaremos reunidos com várias autoridades no assunto, entre elas, a doutora Ana Rosso, neurologista da UFRJ. Tem mais programação que vamos divulgar no decorrer da semana.

C24H – O senhor que é mestre no assunto, como analisa o papel do Centro Multidisciplinar de Parkinson e Alzheimer?

Vanderson – De suma importância para Campos e região. Muitos município daqui, além de não terem o Centro especializado, também não têm o especialista, por isso a demanda aqui é grande. E se não tivesse o Centro, como estariam esses pacientes?