20/10/2015 21h57 Foto:Divulgação
A Câmara Municipal de Campos abordou em audiência pública, na tarde de terça-feira (20), um tema de grande repercussão social: os acidentes de moto. Na sessão, proposta pelo vereador Paulo Hirano, foi apresentado um dado alarmante, de que Campos é o segundo município do estado do Rio de Janeiro com maior índice de acidentes dessa natureza. A sessão foi aberta pelo presidente da Câmara, vereador Edson Batista.
Paulo Hirano agradeceu a presença quase que maciça dos vereadores na audiência. “Acredito que isso se deve à importância do tema. Nosso objetivo aqui é criar leis, traçar ações visando interromper essa escalada assustadora dos acidentes envolvendo motociclistas, que tem se tornado uma epidemia entre nós”, disse ele, que se dispôs a integrar a Comissão de Transportes da Câmara, presidida pelo vereador José Carlos, para dar continuidade ao trabalho. Foi criado também um grupo de trabalho a fim de colocar as sugestões apresentadas em prática.
Uma das ideias, segundo o vereador, é promover uma fiscalização integrada entre as forças policiais, com a devida penalidade aos infratores, para a obtenção do resultado desejado, que é a redução dos índices.
Subsecretário municipal de saúde e diretor do Hospital Ferreira Machado (HFM), Dante Pinto Lucas, fez um breve relato do número de acidentados que dão entrada no hospital. “Quando assumi a direção do HFM fiz um diagnóstico das principais causas quem levam às pessoas a buscar atendimento no hospital e descobri que os acidentes de moto perdem apenas para a queda da própria altura”, afirmou o médico, destacando que o hospital recebe diariamente 12 vítimas de acidente de moto.
“Se levarmos em consideração o que diz a Organização Mundial de Saúde (OMS), de que metade dos acidentados morre no local, esse número sobe para 20 ou 24”, acrescentou. O agravante, segundo Dante, é que muitos desses pacientes deixam o hospital com sequelas que carregarão para o resto da vida. Entre 2012 e 2014, o número de cirurgias ortopédicas realizadas no hospital aumentou 100%, subindo de 465 para 1000.
Ele ressaltou ainda que, em reunião com as autoridades de área de segurança, foram identificadas algumas causas do alto índice de acidentes. “Entre elas estão as motos, adquiridas por meio de leilão e sem condições de uso, que voltam a circular, falta de habilitação, forma de pilotagem dos motoboys”, disse.
Como sugestão para a redução do número de acidentes, Dante disse que está à criação de uma lei municipal para impedir que as motos sem condições de uso voltem ao trânsito.
O Diretor de Procedimentos Legislativos da Procuradoria da Prefeitura de Campos, Bruno Gomes, solicitou que a Câmara envie uma cópia da ata da audiência para que a Pátio Norte, empresa que promove os leilões dos veículos apreendidos, seja oficiada para explicar quais critérios são adotados para a liberação dos veículos.
Representante do 5º Grupamento de Bombeiro Militar (5º GBM), 1º tenente Thomaz Gomes Dutra, afirmou que, quando o Corpo de Bombeiros chega ao local dos acidentes, percebe que a falta de respeito às leis de trânsito e o excesso de velocidade foram as principais causas daquele fato. “Cinquenta por cento das vítimas morrem no local”.
Para o capitão Helton Willians dos Santos Terra, do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRV), a repressão não é a melhor solução.
“Em 2014, o BPRv expediu mais de 8 mil notificações na região, com a apreensão de 192 veículos. Este ano já apreendemos 410 veículos e o que vemos é que isso ainda não resolveu o problema”, afirmou ele, defendendo que seja implementada a educação no trânsito no currículo escolar. Carlos Magno, da secretaria municipal de Educação, afirmou que levará a proposta à secretaria.
Analista de gestão da 2ª Ciretran, Marcelo Gomes, explicou que o Código de Trânsito prevê a educação no trânsito. Para ele, Campos poderia aproveitar as câmeras existentes na cidade e treinar os agentes de trânsito para que identifiquem as infrações de trânsito e depois adotem as providências necessárias”.
Já Silvio Gonçalves Monteiro, do Detran do Shopping Estrada, relatou que só após sofrer um acidente de moto, há 9 anos, é que passou a ter responsabilidade ao guiar uma motocicleta.
Diretor de evento do Moto Club de Campos, Mateus Nogueira, afirmou que o lema da entidade é o respeito à vida. “Quem quiser ser sócio precisa usar itens de segurança como capacete e bota, já que, do contrário, poderá ser punido ou advertido”.