TDHA: Neurofeedback, novo recurso pode substituir ritalina

12/07/2015      –     às 08h30       –      Foto: Divulgação
Andressa 1406 capaHoje muito se fala em crianças com TDAH, déficit de atenção, dificuldade de aprendizagem, ansiedade, etc. E, na maioria das vezes é muito comum os familiares informarem que estas crianças estão sob uso de medicação, e em larga escala, ritalina e/ou equivalentes.

Nossa matéria de hoje fala de uma nova técnica o NEUROFEEDBACK, que tem trazido, segundo pesquisas, resultados fantásticos no tratamento de crianças com essas patologias e conseguido reduzir ou até mesmo eliminar o uso de medicação nestes indivíduos. Para isso, conversaremos com a neuropsicopedagoga Andressa Amaral um pouco sobre a questão.

Campos 24H: O que de fato é este neurofeedback que tem surgido como um recurso promissor no tratamento de crianças TDAH?

Andressa Amaral – O neurofeedback é uma espécie de eletroencefalograma biofeedback, que estimula estimula as habili-dades naturais do cérebro, regenerando e desenvolvendo suas potencialidades, na verdade o principio de utilização desta técnica permite que exercitemos determinados  processos mentais, como relaxamento, concentração  e a  visualização de imagens, com isso, através de aparelhos EEG (eletroencefalograma), ligado a um computador que nos dá condições de condições de avaliar e visualizar, em tempo real, as frequências das nossas ondas cerebrais. Estes sinais emitidos são interpretados e examinados por softwares específicos, que respondem com sinais sonoros e visuais, gerando uma retro-alimentação (feedback), que nos permite avaliar as condições dos nossos processos mentais, com isto, é possível a realização de um treinamento para reprogramação de nosso cérebro.

De que forma este método pode beneficiar crianças, adolescentes e adultos com TDAH, DISLEXIA, DISTÚRBIOS DA APRENDIZAGEM, ANSIOSAS, HIPERATIVAS?

Estudos funcionais de imagem mostram que portadores de TDAH, por exemplo têm apresentado uma atividade diminuida com grande quantidade de ondas teta (ondas lentas), no córtex pré-frontal. Estas ondas são  predominantes,  quando  estas  crianças  estão  envolvidas  em tarefas  que  exigem  atenção, dificultando muito seu desempenho em provas cognitivas relacionadas com o controle das funções executivas  (memória  de trabalho, planejamento, monitoração e execução de atividades complexas ou novas para o indivíduo). Desta forma, através deste treinamento tem sido possível corrigir padrões de atividade cerebral, com resultados em grande escala similar ao efeito de medicação.

Andressa-capaComo é este tratamento?

Na verdade é um treinamento, como se fosse uma “musculação para o cérebro”, mas um procedimento não invasivo, funcionando sob aparelhos de EEG, que tratam da conexão, principalmente com a área pré-frontal, responsável pelas funções executivas, e a mais afetada em casos de TDAH, por exemplo, que trabalham através de jogos, simuladores que treinam a atenção, memória e dão o feedback ao paciente de suas próprias limitações e evoluções, o que estimula ao paciente na melhora contínua. Com isso, através do princípio da plasticidade neuronal o cérebro vai se moldando e reagindo ao treinamento de forma eficaz.

E como se inicia este tratamento através do neurofeedback?

Primeiramente é preciso que seja feita uma avaliação neuropsicológica, de modo que se possa entender, de fato quais são as áreas cerebrais afetadas. Após isso, o profissional elabora um plano de tratamento de acordo com as reais necessidades daquele paciente e inicia o trabalho que geralmente ocorre em média, em 30 sessões, dependendo do caso. É muito importante enfatizar que esta técnica associa-se à terapia cognitivo comportamental, vez que seu princípio é norteado por treinamento pautado em metas e resultados, por isso a importância de profissionais habilitados para atuarem no treinamento.

Quais são os profissionais habilitados?

Neuropsicólogos e neuropsicopedagogos que atuem na linha comportamental, médicos, fisioterapeutas especialistas em reabilitação, que tenham formação em neuro e biofeedback. É muito importante que o trabalho seja realizado por especialistas para que se tenha a eficácia nos resultados

Em relação à medicação, o tratamento é realmente eficaz?

Sim, cada vez mais, as pesquisas tem sido muito satisfatórias nos resultados obtidos com pacientes após o treinamento, que conseguiram de fato, melhorar concentração, reduzir ansiedade e impulsividade e, consequentemente não mais necessitarem de medicação. Na verdade o princípio do treinamento feedback é fazer com que o paciente tenha conhecimento e controle de si mesmo, conseguindo portanto focar em uma única atividade, estar menos ansioso, entender em quais pontos suas dificuldades são maiores e trabalhar mais isso, e consequentemente moldar suas estruturas neuronais a esta nova realidade.

(*) Em caso de dúvidas e sugestões, eu e minha equipe estaremos à disposição para responder a todos, através do email: [email protected].

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