28/06/2015 – 0h12 – Foto: Campos 24 Horas
Postado por Fabiano Venancio
Um programa que nasceu piloto em 2009, a partir de um decreto assinado pela Prefeita Rosinha Garotinho, instituindo saúde nas escolas e, também, nas creches da rede, se expandiu, fez pactuação com o governo federal para ampliação de suas ações e hoje está presente em 88 unidades de educação do município, incluindo escolas e creches. Trata-se do Programa Saúde na Escola (PSE) que, no entanto, apesar de se instituído em Campos em 2009, já existia, em nível federal, desde 2007, com uma diferença grande em relação ao que surgiu depois: não tinha olhar para criança de creche, ou seja, era bem mais “tímido” do que o que foi assinado pela prefeita de Campos dois anos depois.
O tempo passou, as necessidades aumentaram e em 2013 o município fez pactuação com o governo federal, passando a receber recurso e tendo o reconhecimento legal diante do Ministério da Saúde. A coordenadora do PSE, a servidora de carreira, Scheila Márcia de Souza Nascimento, vem acompanhando o crescimento e importância do programa no município e diz que é um trabalho gratificante quando, por exemplo, uma mãe aborda a equipe e diz que o programa acabou salvando a vida de sua filha. Em uma das ações do PSE na escola da criança, viu-se que ela estava acima do peso. A partir daí foram feitos exames, constatando que as taxas de sangue estavam elevadas. Ela foi encaminhada a um especialista da rede que, a partir de novos exames, comprovou que ela tinha leucemia, em estágio avançado. Mas hoje a criança está curada. “Graças a Deus! Graças ao PSE!”.
Veja a entrevista:
Campos 24 Horas – O PSE hoje é muito requisitado no município. Quais os profissionais que o compõem e o que ele oferece?
Scheila – Temos técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos, fonoaudiologistas, nutricionistas, dentistas, oftalmologistas, auxiliares de saúde bucal, professor de educação física e assistente social. O PSE faz avaliação antropométrica (o pesar e o medir) para cálculo do índice de massa corporal, avaliação da saúde bucal, avaliação da saúde ocular, verificação da situação vacinal, avaliação da saúde auditiva, além de promoção de segurança alimentar, promoção de alimentação saudável, promoção de cultura da paz e direitos humanos, saúde e prevenção nas escolas quanto ao direito sexual, reprodutivo e prevenção doas DSTs/Aids. Estas promoções, através de palestras.
C24H– Em termos de números, qual é a quantidade de trabalho?
Scheila – Primeiro temos que dizer que o PSE tem três ônibus que circulam pelo município com uma série de ações e profissionais. Somente neste ônibus, em 57 meses, foram realizados 258 mil 254 procedimentos. De audiometria foram 41 mil 254, de odontologia 63 mil 448, oftalmologia 93 mil 634 de acuidade visual e 29 mil 732 consultas, totalizando nestes dois atendimentos, 123 mil, 366. Além disso, foram entregues 9 mil 544 óculos. E tem, ainda, o Programa Dentinho Saudável com seus 85 mil 470 atendimentos, vacinas com 14 mil 720 e atendimentos médicos com 15 mil 220 atendimentos.
C24H – Pelos números se vê que os problemas ligados à oftalmologia são grandes…
Scheila – Sim e todos os fatores ligados à visão são de dificuldade de aprendizagem em sala de aula. E, muitas vezes, nem a criança nem os pais percebem esse problema, culpando a escola ou a criança pelo baixo índice de aprendizagem, sem atacar a causa do problema de fato. Mas tem também a questão da audição, crianças que já têm aparelho e não se adaptam a ele. Tínhamos o caso de uma criança que tinha o melhor aparelho de audição, mas não se adaptada a ele. Tudo isso também é trabalhado.
C24H– E a avaliação antropométrica? Como funciona?
Scheila – É a avaliação do estado nutricional da criança, através do cálculo peso X medida, além de idade. No caso de obesidade, por exemplo, que cresce cada vez mais entre crianças e adolescentes, a criança acaba ficando no isolamento do ambiente escolar, o chamado bulling. Hoje, 52% dos brasileiros estão acima do peso e, no caso da infância, tem aumentado. Neste caso a criança é direcionada ao Centro de Referência e Tratamento da Criança e do Adolescente (CRTCA-1) ou Hospital Geral de Guarus (HGG), onde têm especialistas, além de acompanhamento com nutricionista. Mas tem também a questão do baixo peso, que vem diminuindo cada vez mais no município.
C24H– Você falou que através do PSE a nutrição escolar no município será reforçada. Que novidade é essa?
Scheila – A ação Brasil Carinhoso, que compõe o Plano Brasil Sem Miséria, do Governo Federal, visando a prevenção e controle das deficiências nutricionais, está lançando a estratégia de fortificação da alimentação infantil. A estratégia será implementada em creches participantes do Programa Saúde na Escola (PSE), como é nosso caso, abrangendo crianças matriculadas na faixa etária de seis meses a 4 anos. Trata-se da estratégia NutriSUS, que vai distribuir sachês com nutrientes alimentares para ser misturada às refeições.
C24H – Mas alguns municípios vizinhos já receberam o NutriSUS e Campos ainda não. Por que?
Scheila – Realmente já era para ter chegado aqui. Mas também alguns municípios vizinhos já receberam, porque o número de creches e, em consequência, de alunos, também é bem menor, o que não é o caso de Campos. No sistema de adesão que a gente faz, tem que indicar aquelas creches que são prioritárias para esse primeiro processo de implantação da estratégia, as quais terão o recebimento dos sachês garantidos para o segundo semestre.
C24H– Entre as histórias que envolvem o atendimento do PSE, você destacou a da menina com leucemia…
Scheila – Sim, porque foi impactante e, se não fosse o olhar diferenciado do profissional do programa por causa do peso elevado, ela poderia ter morrido. O médico que fez seu acompanhamento afirmou isso, que se demorasse mais, não haveria mais solução. Como já contei, em uma das ações do PSE na escola da criança, viu-se que ela estava acima do peso. A partir daí foram feitos exames, constatando que as taxas de sangue estavam elevadas. Ela foi encaminhada a um especialista da rede que, a partir de novos exames, comprovou que ela tinha leucemia, em estágio avançado. Mas hoje a criança está curada.