12/06/2015 – às 8h05 – Foto: Reuters
A eleição para escolha do substituto do presidente da Fifa, Joseph Blatter, que renunciou ao cargo, vai acontecer em Zurique entre dezembro e fevereiro, informou a organização responsável pelo futebol mundial em comunicado nesta quinta-feira.
A votação será realizada durante Congresso extraordinário que vai considerar reformas na estrutura organizacional da Fifa, incluindo mudanças em seu estatuto, segundo a entidade. A data exata será decidida em reunião do comitê executivo da entidade, também em Zurique, em 20 de julho.
“Durante a reunião, a agenda para o Congresso eleitoral será finalizada e aprovada. O Congresso eleitoral extraordinário vai acontecer em Zurique entre dezembro de 2015 e fevereiro de 2016”, informou a Fifa.
Blatter anunciou em 2 de junho que vai entregar o mandato, apenas quatro dias após ter sido reeleito para um quinto termo consecutivo como presidente da federação internacional.
O anúncio ocorreu menos de uma semana depois de a polícia suíça ter realizado operação em um hotel de luxo em Zurique para prender sete dirigentes do futebol mundial a pedido dos Estados Unidos, que investigam um esquema de corrupção no esporte. Entre os presos está o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin.
Blatter, de 79 anos, disse que vai permanecer no cargo até a escolha de um novo presidente. O ex-jogador brasileiro Zico anunciou que está interessado em concorrer à presidência da Fifa.
Entenda o caso
Investigações conduzidas pelo FBI, nos EUA, culminaram na prisão de sete dirigentes de peso no futebol em Zurique, na Suíça. Reunidos para a eleição do próximo presidente da entidade, os cartolas foram detidos pela polícia suíça no hotel Baur au Lac. Entre eles, está o ex-presidente da CBF entre 2012 e 2015 e atual vice da entidade, José Maria Marin, que permanece detido na Suíça.
No total, a investigação chegou a 14 nomes. Além dos sete dirigentes que já foram presos, sete foram indiciados. O brasileiro José Lázaro Marguiles, que seria um intermediário nas operações ilegais, é um deles. Outras quatro pessoas, incluindo o empresário José Hawilla, do grupo Traffic, são réus confessos no esquema. Dessas 18 pessoas, 11, entre elas Marin, foram banidas pela Fifa de quaisquer atividades ligadas ao futebol.
As acusações são de extorsão, fraude, conspiração e lavagem de dinheiro para acordos em torneios como as Eliminatórias, Copa América, Libertadores e Copa do Brasil. O esquema dura, pelo menos, 20 anos e movimentou mais de US$ 150 milhões (R$ 476 milhões) até agora. O valor pode ser muito maior.
Com a prisão dos cartolas e as notícias sobre o andamento das investigações, a pressão sobre a Fifa só aumentou. Diante deste cenário,Joseph Blatter, presidente que havia sido reeleito ao seu quinto mandato no dia 29 de maio, renunciou ao cargo. O secretário-geral da entidade e braço-direito do suíço, Jérôme Valcke também está em situação delicada pela suspeita de participar de pagamento de propina.
O escândalo respingou até mesmo no ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, que deixou o comando da confederação em 2012. No Brasil, a Polícia Federal pediu o indiciamento do cartola por quatro crimes (lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e falsificação de documentos público). Entre 2009 e 2012, Teixeira teria movimentado R$ 464,5 milhões de suas contas bancárias, o que chamou a atenção das autoridades.
Como funcionava o esquema
Empresas de marketing esportivo subornavam dirigentes para ganhar apoio e colocar sua marca nos eventos da Fifa, Conmebol, CBF e outras entidades. Foi assim que Marin recebeu cerca de R$ 2 milhões por ano da empresa Traffic, por direitos de transmissão da Copa do Brasil, como propina, de acordo com as investigações. Marin também está envolvido em acusações de suborno de edições da Copa América até 2023.
Nem o contrato da CBF com a Nike escapou do FBI. A acusação é de pagamento de suborno em relação ao contrato da principal patrocinadora da Seleção Brasileira, que vem desde 1996. “O futebol é um belo jogo. Mas foi sequestrado. A vítima é o futebol. Essas pessoas conseguiram muito dinheiro graças ao amor que esse esporte desperta”, disse o diretor do FBI, James Comey. “Estamos dando um cartão vermelho para a Fifa”, completou Richard Webber, da Receita Federal americana.