Não basta Morar Feliz. Tem que Viver Feliz!

07/06/2015   –   às 02h30   –   Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio
Linda Mara-AL (6)Pesquisas recentes mostram que o sonho de todo brasileiro ainda é ter sua casa própria. Mas pesquisas também apontam que não basta ter uma casa dotada de toda infraestrutura para se Morar Feliz. O importante é, dentro deste contexto, se Viver Feliz e, para isso, é preciso que seja desenvolvida uma série de ações, garantias dessa moradia e até comodidades, como forma de se chegar o mais próximo disso. Em Campos o pontapé inicial para o tão sonhado Viver Feliz já começou e tem dado certo. Pelo menos nos condomínios residenciais onde foram construídas casas do Programa Morar Feliz, o maior programa habitacional do interior do país, financiado por um governo municipal.

E todos os 18 condomínios residenciais do Morar Feliz serão contemplados com o novo programa, até mesmo os condomínios que já tinham sido construídos por outros governos, antes no Morar Feliz, como o da Chatuba do Carvão e da Aldeia. Pelo menos essa é a garantia da coordenadora do Viver Feliz, a jornalista, radialista, advogada e vereadora Linda Mara Silva, atual assessora especial da Prefeitura de Campos. Com seu estilo um tanto o quanto duro para falar, Linda Mara se transforma quando o assunto é o Viver Feliz, programa que, acrescenta a coordenadora, além de garantir a posse da casa para o morador, ainda dá dignidade e oportunidade de vida para todos que compõem o núcleo familiar daquela casa.

Linda Mara-AL (4)E como boa política, Linda Mara não poupa críticas aos adversários que tentam denegrir a imagem, tanto do Morar Feliz quanto do Viver Feliz, afirmando ser muito fácil criticar de dentro de salas refrigeradas ou porque teria ouvido falar. E, ainda, que oposição é salutar, mas tem que ter responsabilidade, principalmente, com aquilo que fala.  “Antes de criticar, a pessoa tem que ir ao local, conhecer. Mas a oposição aqui só anda em época de eleição”, afirma.

Confira a entrevista:

Campos 24 Horas – Como surgiu o Viver Feliz? As pessoas desses condomínios não eram felizes?

Linda Mara Silva O que eles não tinham eram oportunidades para isso e o programa dá essa oportunidade. O programa foi concedido pela Prefeita Rosinha com ações contundentes e necessárias para ser desenvolvido dentro do Morar Feliz. As pessoas chamavam as casas de “casinhas da prefeita”, o que não é, são residências dotadas de toda infraestrutura e o local conta com drenagem, abastecimento de água e esgoto, iluminação, telefonia, arborização e outros. E as casas têm pintura textualizada, esquadrias de alumínio e gramado. Mas porque isso? Porque não havia uma identidade, que agora há, com ruas identificadas por nomes, CEP e tudo mais. E o mais importante, eles estão recebendo o título de posse dessas casas, realizando o sonho da casa própria. Além disso, parte da estrutura da prefeitura, através das secretarias, vai até aos sábados de 15/15 dias, nos condomínios.

C24H – Mas depois que o programa passa por determinado condomínio, este fica desguarnecido das ações?

Linda Mara Não e aí que é o bacana da história. Funciona assim: aos sábados vários programas e projetos da prefeitura são levados a um determinado condomínio, como vacinação, aferição de pressão, medição do índice de glicose e colesterol, retirada de carteiras de identidade e de trabalho, corte de cabelo e cuidados com a beleza, informações do balcão de empregos, informações de cursos de geração de renda, implantação de modelo de horta suspensa que todos estão aderindo, assistentes sociais com informações sobre benefícios que os moradores podem ter, advogados com orientações jurídicas diversas e até doação de animais. As pessoas trabalham a semana toda e muitas vezes não têm tempo de se deslocar até onde estão estes serviços e muitos, sequer, sabem como chegar até eles. E depois a gente volta com a entrega do título de posse das casas, quando já foi feito todo levantamento jurídico do imóvel, para ver se quem está nele foi realmente quem teve direito a ele.

Linda Mara-AL (5)C24H – Você ainda não falou como ficam esses moradores que passaram pelo programa, já que este segue para outro condomínio…

Linda Mara – Eles passam a fazer parte de um banco de dados com todas as informações da sua vida, tipo, se apresenta problema de hipertensão, problema de diabetes, colesterol alto ou, até mesmo, se têm direito a determinado benefício e estão fora dele, se as crianças estão frequentando a escola e muito mais. Sem falar que a partir daí eles estão devidamente orientados para seguir em frente. Mas também estamos com ideia de criar a figura do síndico do condomínio, o que existe em qualquer outro condomínio fora do Morar Feliz. Ele vai receber as demandas dos moradores e encaminhar para as soluções, como por exemplo, uma rua que está com buraco, uma lâmpada que queimou em determinado poste, a entrega dos Correios que não aconteceu, entre outros problemas. No próprio condomínio terá uma casa como referência para isso.
Linda Mara-AL (6)C24H – Por falar de título de posse, e as pessoas que negociaram suas casas?

Linda Mara – Nós temos uma equipe de campo muito boa, formada por assistentes sociais, supervisores de bairro e equipe do Viver Feliz, apoiada pela Procuradoria do Município, que cuida disso. E quem negociou vai perder, porque as casas foram construídas para quem precisa e não pode ser moeda de troca de ninguém. Sem contar que essas pessoas vão responder judicialmente, porque se trata de um crime. Com tanta gente precisando por aí, uma pessoa ganha uma casa e vende ou aluga? E o título de posse sai em nome da mulher, porque a política é dar casa para a mulher, já que em caso de separação, nem ela nem os filhos ficam desamparados. O homem só recebe o título em caso extremo, como problema de documentação, composição familiar caso de viuvez, se ele na época morava sozinho, entre outros casos a serem analisados.

C24H – Nestas andanças do Viver Feliz são muitas histórias tristes, não?

Linda Mara – Muitas tristes e outras também alegres, a partir da mudança de vida com o Morar Feliz. Tem a história de uma senhorinha que morava na beira da linha com a filha e o sobrinho e sonhava em sair dali, principalmente, quando viu esse sobrinho morrer atropelado naquele local. Não deu tempo de realizar seu sonho e quando a filha recebeu o título por ela, lembrou da mãe e disse que naquele momento o sonho tinha virado realidade. Outra história é de uma senhora que vivia na Ilha do Cunha e disse que chuva para ela era sinônimo de tristeza e, agora, chuva é como canção batendo no teto. Isso mexe com a gente e nos dá força para continuar trabalhando cada vez mais. Você já pensou em uma criança de seis anos afirmar que nunca tinha tomado um banho de chuveiro quente e que estava feliz por isso? E uma senhora de 60 anos que nunca tinha feito as unhas e que estava contente do programa Viver Feliz ter proporcionado isso a ela?

C24H – Mas vocês são bem recebidos em todas as comunidades onde há o Morar Feliz? E os problemas que a imprensa divulga sempre neste sentido?

Linda Mara – Somos muito bem recebidos em todas, porque eles sabem que estamos ali para prestar um serviço àquela comunidade, àquele condomínio. Eles nós olham com carinho, porque também é isso que levamos a eles através dos programas e projetos. Para você ter uma ideia, no dia da entrega do título de posse feita pela Prefeita Rosinha e pelo secretário de Governo, Anthony Garotinho, o local fica em festa, as pessoas se arrumam, é um evento, porque eles sabem que aquele dia é importante na vida deles e da sua família e que é um dia de transformação.

Linda Mara-AL (7)C24H – Está tudo bem, tudo ótimo, mas muitos reclamam da falta de área de lazer nestes locais…

Linda Mara – Estamos, na medida do possível, providenciando. E isso, pode ter certeza, já é uma mudança de mentalidade, as pessoas querem curtir as benfeitorias que a prefeitura fez naquele local e dividir com toda a família num espaço próprio, geralmente a praça. Há dez dias, por exemplo, foi entregue a do parque Esplanada, uma área de esporte e lazer, que já se transformou em point para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Algumas áreas nestes locais já estão definidas, com pista de caminhada, área para futebol e outros. A Prefeita Rosinha quer justamente isso, resgatar a família, a união dela em torno de coisas boas, salutares à vida.

C24H– Alguns políticos classificam esses programas como assistencialistas. Como você vê essa crítica?

Linda Mara – Vejo como lamentável e muito infeliz. Só fala deles quem nunca passou por uma tragédia ou tristeza que as pessoas que hoje são beneficiadas por eles passaram. Quem tem casa própria, não sabe o que é ganhar uma casa e não uma casinha como muitos falam. Esses políticos não podem chamar o Vale Alimentação de Vale Coxinha. A fome não está no papel, está na barriga. Não podem falar de criança estudando em casa alugada sem conhecer uma creche modelo. Eles têm que conhecer o antes e o depois dessas pessoas e muitos que criticam, perderam a oportunidade de, em tempos de governos passados, cobrarem mais, agirem mais. Acho até que isso é uma falta de respeito com as pessoas que precisam e são atendidas pelo nosso governo.