domingo, 19 de abril de 2015 – Foto: Campos 24 Horas e Divulgação
Na matéria especial deste domingo com profissionais da Clínica CRIAMSA, o Campos 24 Horas traz uma abordagem sobre os estágios de desenvolvimento da criança. A neuropsicopedagoga Andressa Amaral aborda o tema e faz indagações a fisioterapeuta Cristina Campista e a fonoaudióloga Bernadete Bretas. Confira:
Andressa Amaral- É muito comum ouvirmos comentários do tipo: Olha, seu filho ainda não fala? Nossa, essa criança ainda não anda? O meu filho nem engatinhou e logo andou…, Olhe, observe a fala de seu filho, ninguém entende o que ele fala… Enfim, inúmeras são as especulações, sugestões e ideias a respeito do que é realmente ideal em uma criança em determinada idade, ou se realmente há algo de errado com aquela criança. Em relação ao assunto, é muito importante que nós, pais e profissionais, realmente, fiquemos atentos à questão, pois às vezes, através de observações simples é possível prevenir na primeira infância, e principalmente entre 0 e 3 anos, idade que tais sinais tornam-se mais evidentes, problemas sérios como por exemplo: dificuldades na fala, na psicomotricidade e consequentemente na aprendizagem da criança e até mesmo detectar sintomas de transtornos como por exemplo o TEA (transtorno do espectro autista), dentre outros que podem ser observados na primeira infância e permitir excelentes resultados com o tratamento precoce.
Antes de conversarmos com nossas convidadas, vamos entender de fato o que significa atraso no desenvolvimento. Essa questão refere-se em resumo, a crianças que não atingiram alguns recursos no tempo previsto, como: Coordenação motora ampla (habilidades físicas como rolar, sentar e andar), coordenação motora fina (capacidade de segurar as coisas, manipular objetos), linguagem e fala),habilidades sociais (relacionamento com outras pessoas), em períodos adequados a tais acontecimentos. Esses fatos, geralmente são percebidos até os três anos de idade, ressalvados os casos de crianças prematuras que há mudança nesta relação de tempo.
O importante é observar de que forma podemos perceber se há realmente algo de errado com nossos filhos. Por exemplo:
Se de 03 a 06 meses:a criança: não firma o pescoço quando está no colo, não tenta pegar brinquedos, estica apenas uma mão para pegar algo e deixa a outra fechada.
Seentre 1 e 2 anos: não engatinha, não fica de pé apoiando em alguma coisa, não fala mamá, ou papá, ou tenta se comunicar, não aponta para coisas interessantes, não identifica ao menos uma parte do corpo quando lhe perguntam, não sorri quando olha, não responde ao próprio nome.
E ainda entre 2 e 3 anos: não identifica objetos nomeando-os, fica nervosa aos sons de trovão, estouro de balão, etc, não segue instruções simples, não simboliza brincadeiras, usando por exemplo um objeto para simular um telefone, , quando anda sempre nas pontas dos pés, após vários meses andando, está sempre babando, cai com frequência, não forma pequenas frases, ninguém da família consegue entender o que ela tenta dizer…
Estes são alguns sinais que precisam ser observados pois, pode haver algo errado no desenvolvimento da criança.
Para elucidar a questão, estarei a seguir conversando sobre o assunto, com a fisioterapeuta Cristina Campista, especialista em fisioterapia funcional e pilates para sistemas de aprendizagem, acerca do desenvolvimento psicomotor.
Neuropsicopedagoga aborda tema com fisioterapeuta e fonoaudióloga
Andressa Amaral: Sabemos que muitas crianças não engatinham, andam direto, há problema nisso em relação ao desenvolvimento psicomotor?
Fisioterapeuta Cristina Campista: É muito comum os pais sentirem orgulho do seu filho por que deram seus passos precocemente. No entanto, essas crianças perdem benefícios relacionados à fase de engatinhar.É comum a criança começar a engatinhar por volta dos sete até nove meses de idade. Já as crianças de um ano que não engatinham nem dão passinhos com apoio devem passar por uma avaliação com um pediatra ou mesmo com uma neuropsicopedagoga. O fato de não engatinhar, em alguns casos, pode indicar um problema motor mais sério. Daí a importância do acompanhamento. Em geral, o médico do bebê vai avaliar um conjunto de fatores na criança para indicar se o desenvolvimento, de uma forma global, está dentro do esperado.
Andressa: Em que momento se estabelece a coordenação motora fina na criança?
Cristina – A psicomotricidade abrande duas grandes áreas: a motricidade grossa e a motricidade finarelaciona-se com os movimentos de maior precisão: coordenação olho-mão e destreza na manipulação de objetos, caso isso não seja percebido pelos pais, até, em geral, no máximo até os três anos de idade, é preciso ficar em alerta.
Andressa: Há fisioterapia para crianças com comprometimento na fala?
Cristina – Sim, mas na questão da fala indico uma equipe multidisciplinar, onde a presença do fonoaudiólogo é indispensável, diante de um diagnóstico que pode ter manifestações clínicas tão variadas, que atingem funções tão diferentes quanto à capacidade motora; a linguagem; a compreensão, etc., é impossível que um único profissional da área de saúde consiga tratar o paciente de forma adequada e abrangente. Daí a necessidade de vários profissionais, treinados para compreenderem e atuarem áreas específicas do desenvolvimento da fala da criança. Mas a fisioterapia contribui muito no tratamento, estimulando canais sensoriais que ajudam no desenvolvimento da oralidade.
Andressa – Já que sua especialidade é também o pilates, nos diga se este método ajuda no tratamento de crianças com atraso no desenvolvimento cognitivo.
Cristina – Sim, com certeza. Nas terapias através de Pilates, o equilíbrio, a coordenação motora e a modulação tônica são estimuladas continuamente.E o que, atualmente, é conhecido como treinamento funcional, apresenta, também, incontáveis estímulos psicomotores.
Continuando a questão do atraso no desenvolvimento, para finalizar, ouvimos fonoaudióloga Bernadete Pereira Bretasa responder algumas indagações importantes
Andressa Amaral: Em que momento já é possível os pais perceberem que as crianças podem apresentar futuros problemas de linguagem?
Fonoaudióloga Bernadete Pereira – Para a criança falar,ela passa por várias etapas é o que chamamos de Desenvolvimento da Linguagem.A primeira manifestaçãode linguagem da criança é o choro, depois dessa, vem a fase do balbucio, por volta dos 3 meses, a criança começa a emitir sons geralmente vogais descobrindo também essa área oral (lábios, língua, bochechas) e vai havendo um feedback com a mãe, e vice-versa. Se a criança não passapor essa fase, os pais devem ficar atentos, porque a criança pode não estar ouvindo ou está tendo outra razão para ela não passar por essa fase,aí é necessário que eles procurem ajuda, procurando o fonoaudiólogo para fazer uma avaliação, pois está havendo alguma anormalidade no desenvolvimento da fala de seu filho. Depois, de9 meses a 1 notam-se as primeiras palavras, e de 1 a2anos palavras e frases telegráficas (mamãe água, vovó bo(vovó foi embora), de 2 a 3anos, construção de frases. Se isso acontecer de forma diferente é preciso ficar atento.
Andressa: Como uma criança de até 03anos de idade por exemplo podem nos apresentar sinais de Dislexia?
Bernadete – Os primeiros sinais de dislexia podem ser percebidos a partir dos 2 anos e meio de vida. A criança que desenvolve mais o transtorno de aprendizagem ela demora mais para aprender a falar. Quando tem o vocabulário restrito, simplifica demais as frases, troca o nome dos objetos, tem dificuldades para recontar uma história, com 6 anos, surge as dificuldades para ler, etc…Mas isso não pode ser visto isoladamente. As dificuldades só devem ser relacionados à Dislexia, quando são frequentes. O diagnóstico é fechado, depois que a criançacompleta 8 anos e realmente não conseguiu aprender a ler nem a escrever, mas o ideal é que comece o tratamento, assim que os pais percebem os primeiros sinais:
Ler devagar ou com dificuldade, depois de uma idade em que foi alfabetizada.
2-Quando lê ou escreve,omite ou adiciona letras e palavras ao texto.
3-Tem dificuldade em interpretar os textos que lê. Se a mãe e o professor lê ele entende.
Andressa: É normal crianças com três anos ainda falarem de uma forma de difícil compreensão?
Bernadete – Uma criança de 3anos ela já faz frases, ela já conta estórias e já devem estar falando um número grande de palavras. Mas como já falei cada criança tem seu próprio desenvolvimento, se ela não está acompanhando corretamente essa fase, os pais devem procurar fazer uma avaliação da linguagem do seu filho, isso porque com 5anos, quando ela está sendo alfabetizada ela não poderá ter nenhuma dificuldade na fala e nenhum atraso de linguagem, senão ela poderá vir a ter uma dificuldade na leitura e escrita.
Andressa: Quais sinais que os pais podem perceber que há algum problema na fala?
Bernadete – Os sinais seriam: fala incorreta(com trocas de fonemas: prato a criança fala platô, girafa=gilafa), gagueira, a criança quase não fala(se comunica com gestos), dificuldade auditiva.
Andressa Amaral: Existe uma idade ideal para procurar um fonoaudiólogo?
Assim que a criança começa a apresentar dificuldade no seu desenvolvimento da linguagem seja bebê, seja com 2anos,essa é a hora de procurar um fonoaudiólogo. Até os 4 anos a criança tem que ter uma linguagem totalmente correta, se antes disso ela não tiver acompanhando o seu desenvolvimento de linguagem, deve se procurar uma avaliação de uma equipe multidisciplinar para detectar o problema isso para a criança sem nenhum outro tipo de comprometimento.
Diante o exposto, fica o alerta a todos os pais que observem o desenvolvimento de seus filhos, principalmente até os três anos de idade, pois se detectado que há algo de errado dentro deste período, problemas como: dislexia, disgrafia, insuficiência psicomotora, transtornos de aprendizagem e de comportamento, dentre outras comorbidades, através do tratamento precoce, podem ser tratadas de modo que a criança consiga viver em condições de normalidade.
Em caso de dúvidas e sugestões, eu e minha equipe estaremos à disposição para responder a todos, através do email: [email protected].
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