sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015 – Foto: Divulgação

Em tese, um Flamengo x Boavista que termina com vitória rubro-negra por 2 a 0, num Estadual marcado por atuações protocolares de grandes contra pequenos e raros tropeços, seria apenas mais um jogo. Mas o Maracanã não viveu uma noite convencional. Foram 90 minutos e diferentes histórias. Primeiro, o desrespeito ao torcedor em um estádio que subdimensionou a ocasião. Depois, um primeiro tempo sofrível de um Flamengo que, dependente da velocidade, não achava espaço para correr. Em seguida, um novo time no segundo tempo, quando o contra-ataque se ofereceu. Para terminar, 25 minutos de Leonardo Moura em campo.
Mas não foram 25 minutos quaisquer. Foram os primeiros depois que se tornou de conhecimento público que está perto do fim a passagem pela Gávea do segundo maior lateral-direito da história rubro-negra.
— Cada jogo no Flamengo foi muito especial. Hoje foi mais um, por tudo que está se desenvolvendo. Cada jogo que vejo que está se aproximando o final… Acredito que ainda vai haver mais alguns jogos. Não formalizamos a saída, há um convite para jogar nos Estados Unidos, era algo que eu sempre busquei. Vou conversar com a diretoria, mas acho que não vai haver problema. Eles sabem tudo o que sempre fiz pelo Flamengo — disse Leonardo Moura, que deve ficar no clube até o jogo com o Botafogo, dia 1º de março.
O esforço para cortar custos de operação do estádio faz o Maracanã reduzir acessos, setores disponíveis, gente trabalhando e até luz. Na noite desta quinta, o cálculo falhou. Após o carnaval, em um “meio feriado” para muitos e numa cidade cheia de turistas, os 24 mil presentes surpreenderam a organização. Houve quem entrasse no segundo tempo. Houve quem desistisse. Curioso que, num campeonato em que falta público, quem vai ao estádio seja tratado como um excêntrico. Alguém que faz algo que não se supunha.
Durante os primeiros 45 minutos, o Flamengo esbarrou em seu problema recorrente. Não há mal algum em ter um time veloz. Afinal, velocidade é virtude. O ruim é ser dependente dela. Algo que ocorre com certa frequência em jogos do Flamengo. E quando, seja pelos erros técnicos do time, seja pela marcação do adversário, as jogadas verticais ficam tolhidas, o time rubro-negro costuma se perder. Insiste na solução rápida, confunde velocidade com pressa.
Vanderlei Luxemburgo tenta, com o material humano que tem, melhorar a saída de bola para que, diante de defesas fechadas, haja mais toque, mais passe. Mas ontem, Canteros foi mal. Mas não só ele. No primeiro tempo, Nixon abusou das precipitações, das decisões apressadas. Éverton e Arthur Maia também atuavam mal. Sobrava Marcelo Cirino contra a defesa rival. No segundo tempo, ele se mostraria decisivo.
Antes, as chances foram escassas. Dois cruzamentos, um de Thalyson e outro de Pará, encontraram Éverton e Nixon, respectivamente. As finalizações não acertaram o alvo. A tal jogada de velocidade, aquela que o Flamengo prefere, só surgiu aos 42. E, como de hábito, resultou em boa chance. Aos 42, Marcelo Cirino lançou Éverton, que chutou mas esbarrou no goleiro do Boavista.
O Flamengo perdia o sentido coletivo e raramente tinha paciência de trabalhar a bola com passes. Até que veio o contra-ataque. Eram 11 minutos do segundo tempo quando Nixon apanhou um rebote da zaga e lançou Marcelo Cirino. Ele correu da intermediária até o gol. E abriu o placar.
O panorama mudou. Aberto, desanimado, o Boavista deu espaços. Aí Éverton cresceu, associou-se a Marcelo Cirino e as jogadas surgiram. Com a entrada de Leonardo Moura, Pará se transformou em boa opção pela esquerda. Até que, aos 27 minutos, Marcelo Cirino deu belo passe para Éverton decidir o jogo e colocar o Flamengo na liderança.