sábado, 03 de janeiro de 2015 – Foto: Filipe Lemos/Campos 24 Horas
Por: Fabiano Venancio
Vários médicos e funcionários que não recebem seus salários já não comparecem para trabalhar. Carência de materiais, sobretudo de medicamentos. A UTI não recebe pacientes. Essa é a situação da Santa Casa de Misericórdia de Campos, uma instituição mergulhada em dívidas, e sob intervenção da Justiça por causa de denuncias de irregularidades.
Diante disso, o hospital pode fechar as portas. A afirmação é do gerente administrativo do hospital, Wandre Freitas Viana Júnior, que concedeu entrevista ao Campos 24 Horas esta semana. Segundo ele, a Prefeitura de Campos tem ajudado de forma significativa. Mesmo assim, as internações nas enfermarias do hospital podem ser interrompidas.
No dia 19 de dezembro, o interventor Paulo César Barcelos Cassiano assumiu o comando do hospital por determinação da Justiça, que afastou o provedor Benedito Marques por seis meses após denúncias de médicos sobre inúmeras irregularidades, entres as quais mortes de pacientes, utilização de stents vencidos em cirurgias cardíacas e falta de medicamentos. Ao assumir, Paulo Cassinao admitiu que o hospital se encontra numa situação muito difícil. Entre as dívidas, o interventor destaca a situação dos funcionários e médicos que há dois meses não recebem seus salários, além de pagamentos atrasados de fornecedores e prestadores de serviços.
O gerente administrativo Wandre Freitas Viana Júnior fala ao Campos 24 Horas e confirma que há um risco da Santa Casa fechar as portas; confira:
Internação:
“Já existe um documento do interventor negociado junto ao Ministério Público e a Prefeitura de Campos. Nós não estamos internando na UTI. Por enquanto, não esta havendo nenhuma internação”
Enfermarias:
“No caso das enfermarias, não há documento oficial ainda para proibir as internações. Mas com a falta de pagamentos dos funcionários e a falta de medicamentos, isso pode acabar acontecendo. A Prefeitura de Campos está nos ajudando, suprindo dentro das possibilidades com as condições que ela pode”.
Serviços:
“Hoje, todos os serviços estão funcionando. Estamos aguardando a compreensão dos funcionários e médicos. Mas há falta de funcionários. Contamos com aqueles que estão se disponibilizando a ajudar a Santa Casa e ainda estão vindo trabalhar”.
Risco de fechar as portas:
“Sim, nós estamos correndo o risco de fechar as portas do hospital. Isso ainda não está decidido. A nossa meta é não parar. Se observamos na semana que vem que não há recursos, não vamos poder continuar funcionando”.
Empréstimo:
“Quando houve a intervenção, teria um empréstimo disponível e a verba da prefeitura que o interventor pediu”.