Flu: corte de despesas para sobreviver a penhoras

quarta-feira 03 de dezembro de 2014     –     Foto: Divulgação

cristovaoborgesnelsonperezfludivA o expor publicamente sua insatisfação com a diretoria tricolor no domingo, na penúltima partida do Fluminense no Brasileiro, o atacante Fred pôs o dedo em uma ferida que pode custar a cicatrizar. O fato de não receber há 19 meses cerca de R$ 100 mil dos R$ 900 mil de salários e direitos de imagem, o atacante, na opinião da alta cúpula, expôs o clube de maneira indevida e desagradou muita gente.

Além de Fred, Diguinho e Jean estão com atrasos significativos no pagamento dos direitos de imagem. Mas estes com valores bem abaixo dos do atacante. A Fred, o Flu deve cerca de R$ 2,7 milhões. Os outros têm os vencimentos em dia.

A interrupção nestes pagamentos foi uma opção da diretoria, ainda em 2013, quando teve todas as receitas bloqueadas a pedido da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Com isso, o clube teve de cortar na própria carne, demitindo funcionários. Fred, o grande astro do time, e quem tem o maior salário, também sofreu na própria pele, para que jogadores com salários mais baixos não fossem atingidos.

Os bloqueios das verbas fazem parte do passado, mas não a dívida. O Fluminense promete pagar, mas o próprio presidente Peter Siemsen não sabe quando poderá fazê-lo.

No clube, o fato de tantos jogadores terem vindo a público externar insatisfação é tido como efeito de mudança numa cultura estabelecida pelo patrocinador, e que está tendo de ser mudada radicalmente. Sobre a presença do capitão na próxima temporada, tanto Peter quanto Celso Barros foram curtos, mas objetivos nas respostas. Para ambos, “Fred tem contrato com o Flu e vai cumpri-lo.”

Nesta nova realidade, a diretoria seguirá investindo em apostas com capacidade de aumentar o valor de mercado, casos de Edson e Guilherme Mattis, cujos salários giram em torno de R$ 30 mil.

“O clube nunca esteve tão bem. Não temos mais penhoras sobre o Maracanã ou sobre nada. Está tudo equacionado e estamos perto do déficit zero”, garante Peter.

As negociações entre a diretoria, Cristovão e os auxiliares dele devem começar na próxima semana, após o fim do Campeonato Brasileiro. O que pode pesar como um fator de que a permanência no clube deve realmente ocorrer é que membros da comissão técnica já estão tirando visto para a viagem aos Estados Unidos, local onde o Fluminense passará dez dias realizando a pré-temporada para o ano que vem.