Atualizado: segunda-feira, 13 de outubro de 2014 – Foto: Campos 24 Horas
Postado por: Fabiano Venancio
Paras as pessoas que residem na área urbana do município, onde o abastecimento de água é feito pela Concessionária Águas do Paraíba, abrir a torneira e ver o líquido jorrar é normal. Mas, para os que vivem na zona rural, onde a concessionária não chega, o mesmo gesto não é tão normal assim. E é aí que entra a Empresa Municipal de Habitação (Emhab), que hoje abastece quase 80 localidades nos quatro cantos do município.
Nestes locais o trabalho da Emhab é, além de abastecer as residências e propriedades rurais com carros pipas, também abrir ou tratar poços artesianos. E o trabalho não para por aí. A Emhab ainda é responsável pelas três Estações de Tratamento de Água (ETA) do município, em localidades que contam com rede de água e, ainda, pela Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Travessão.
A presidente do órgão, Simone Ferreira Muniz de Oliveira, explica que também está em plena atividade, a reurbanização que está sendo feita na Lagoa do Sapo e seu entorno, além da elaboração do Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS), programa do governo federal desenvolvido em parceria com os governos estadual e municipal. A Empresa ainda presta serviço dentro do Programa Morar Feliz, ajudando na localização de áreas para construção do empreendimento.
Confira a entrevista
Campos 24 Horas – O trabalho da Emhab, como as pessoas do interior falam, não é desenvolvido basicamente na pedra. Correto?
Simone Ferreira Muniz de Oliveira – Sim. Nosso trabalho é desenvolvido em locais mais distantes, embora tenhamos ações também na área urbana. Fazemos distribuição de água potável através de carros pipas em mais de 30 localidades, abertura de poços quando solicitada, levamos ainda água a cerca de 40 outras localidades através dos poços artesianos. Somos responsáveis pelas três estações de água nas localidades de Martins Laje, Marcelo e Correnteza, locais que já tem rede de água. E, ainda, somos responsáveis pela estação de tratamento de esgoto, que fica localizada no bairro Santuário, no distrito de Travessão, que coleta todo o esgoto de lá.
C24H – E a Emhab trata somente de abastecimento de água?
Simone – Não. Estamos também desenvolvendo projeto de urbanização e revitalização da Lagoa do Sapo, localizada no bairro Eldorado, em parceria com outras secretarias, com drenagem, dragagem, construção de praças, entre outros. Oitenta e cinco famílias que viviam ali foram removidas para casas do programa Morar Feliz e o bairro passou pelo programa Bairro Legal. E já foi construída no local uma praça de esporte e lazer, com quiosques, pista de caminhada, entre outros, tudo com muita arborização. Além disso, a lagoa está sendo limpa e está sendo construído intertravado para construção de pista de caminhada, entre outros.
C24H – Mas água ainda é o carro chefe da Empresa, não é?
Simone– Temos realmente um programa muito vasto neste sentido, o Águas na Comunidade. Esse programa leva água tratada e de qualidade a cerca de 45 localidades, através de poços artesianos, com captação, distribuição e adução no abastecimento. E a maioria dessas localidades já conta com rede de água. Mais da metade vai passar, em breve, por melhorias. Foi feita uma casa de química, colocação de filtros novos, cloração e análise semanal, tudo isso para sempre se ter água de qualidade. Somente em Venda Nova e Campo Novo, localidades primeiras a receber o programa, mais de 4 mil e 400 pessoas foram atendidas. E, também, em Beira do Taí, Balança do Jair, Usina São João, Campo Limpo e Fazendinha, totalizando aí 5.400 pessoas beneficiadas. Breve estaremos com frentes de trabalho em Alto do Elizeu, Largo do Garcia, Usina Santa Cruz, Carvão, entre outras.
C24H – E como é feito esse trabalho de campo, para descobrir água?
Simone– Nós contamos com um radiestegista, que é um técnico que faz as pesquisas de campo e verifica onde em determinada área há mais possibilidade de encontrar água e, assim, se tem uma margem mínima de erro. Estamos em fase de teste para entrega da obra, as localidades de Venda Nova, Santa Cruz, Mundéus, Caxias de Tocos e Matutu, beneficiando cerca de 8.400 pessoas com água tratada. E o melhor, totalmente sem custo para elas.
C24H – E a partir da localização da área?
Simone – Primeiro nós localizamos a área, fazemos a perfuração, a coleta da água para análise (se for salgada, não serve) e, a partir daí, se tiver tudo ok, executamos o trabalho. Também observamos a vazão, para saber se é suficiente. E a partir daí, compramos filtros, entre outros. Por isso que é um trabalho mais demorado, porque tem que ser de qualidade.

C24H – A senhora fala em frentes de trabalho em localidades que muitos nem sabem que existem. E antes como era?
Simone – Não tinha nada, simplesmente não era. Se tinha água, não tinha tratamento, sem qualidade, perigosa. E em carros pipas, sem estar em rede. E sabemos que o abastecimento em carro pipa não é o mais adequado, por isso investimos no programa Águas na Comunidade, acabando aos poucos com esse tipo de serviço, substituindo por outros melhores. Recentemente, a Prefeita Rosinha Garotinho solicitou que fizéssemos contra prova da análise da água servida nestas localidades, através de exames na Uenf.
C24H – E o Plano Local de Habitação de Interesse Social? É igual ao programa Morar Feliz?
Simone– É outra coisa. O Morar Feliz é hoje o maior programa habitacional do interior do país, desenvolvido unicamente por uma prefeitura. Já o PLHIS é do governo federal, desenvolvido em parceria com os governos estadual e municipal e orienta a política de habitação para as pessoas com renda de zero até três mínimos. O Plano é uma determinação do governo federal, através do Ministério das Cidades, que exige que todos os 5.566 municípios brasileiros o elaborem, onde devem estar traçadas estratégias de ação no âmbito da habitação, para o recebimento da verba federal. E vai se somar ao programa de habitação já em prática no município, o Morar Feliz.
C24H – A senhora falou inicialmente de um novo programa a ser desenvolvido pela Empresa. Qual é ele?
Simone – Trata-se do programa “Papel Passado”, uma parceria da prefeitura com o governo federal, através do Ministério das Cidades, assinada no mês passado. Este cuida da regularização fundiária, ou seja, contempla aquelas pessoas que outrora ganharam um imóvel, mas não tem documentação que comprove isso. Inicialmente serão contempladas duas áreas em Campos, a Vila Izabel e Jacu, localizadas no Fundão e no Cidade Luz, onde as pessoas receberão suas titularidades, num total de cerca de 1.500 famílias.
C24H – Mas e as outras áreas, como ficam?
Simone – Outras áreas também serão beneficiadas. A função da prefeitura é justamente fazer o levantamento das demandas, porque a proposta do governo é a regularização de todas as áreas que tem infraestrutura, estão consolidadas, mas falta a titularidade.