atualizado: segunda-feira, 14 de julho de 2014 – Foto: Campos 24 Horas
Ele continua com o mesmo discurso de oito meses atrás, quando deu a primeira entrevista ao Campos24horas, ou seja, “mostrar para a população que o lixo aqui em Campos tem valor, levando-se em consideração que ele é quase que totalmente reaproveitado”. E, ainda, que “quanto mais coletiva seletiva, melhor é a qualidade de vida junto ao meio ambiente”. Esse foi um dos pontos levantados pelo vereador licenciado e atual secretário municipal de Limpeza Pública, Praças e Jardins, Jorge Ribeiro Rangel.
Neste período de tempo de uma entrevista para outra, os números comprovam que o secretário tem razão e que, realmente, tudo leva a crer que o lixo no município tem mesmo seu valor. Em cima disso tudo foi criado o slogan “Lixo no lixo com reaproveitamento”, seguido de campanhas informativas e tudo que possa contribuir para que o lixo tenha destinação correta, como manda a legislação ambiental.
Campos 24 Horas – Vamos começar falando de reaproveitamento do lixo. Os números aumentaram em Campos neste sentido?
Jorge Rangel – Com certeza. Há oito meses eram cerca de 100 toneladas/mês de lixo reciclado, incluindo aí papelão, plástico, vidro, alumínio, entre outros. Houve um acréscimo de cerca de 30% e, atualmente, são mais de 130 toneladas/mês. Quase tudo hoje é reaproveitado e muita gente pratica com frequência a coleta seletiva, um dos programas de maior participação popular. A gente recicla o lixo seco e com esse reciclado, se mantém programas sociais.
Campos 24H – Na entrevista anterior o senhor explicou a destinação deste material e falou sobre abertura de cooperativas, formadas por ex-catadores de lixo, para reaproveitamento…
Jorge – É, eu falei que tudo vai para uma Ong da cidade, a Sociedade de Apoio à Criança e ao Idoso de Campos (Saci), em Donana, mantida pelo Rotary Club de Campos, que vende para empresas de fora e o recurso é revertido em cesta básica para outras Ongs da cidade. Mas nós estamos incentivando a abertura de coperativas mesmo, com ex-catadores do antigo aterro controlado, que funcionou por anos e anos na Codin. Inicialmente serão duas cooperativas, a Reciclar e a Renovar. Mas a intenção do governo Rosinha Garotinho é implantar cinco no município.
Campos 24H – E em que fase estão essas cooperativas?
Jorge– Para a Reciclar, que vai funcionar no parque Eldorado, a assinatura do contrato aconteceu há 90 dias. O galpão está em fase de acabamento e acredito que em 90 dias as obras estejam prontas. Já a Renovar, que está sendo construída no Parque Aldeia, na estrada Campos-Itaperuna, a assinatura aconteceu este mês. Acredito que as obras desta última se prolonguem por quatro meses.
Campos 24H– E todas são com ex-catadores? Então a prefeitura não será a “dona” dessas usinas de reciclagem?
Jorge – Sim, todas com ex-catadores. Inicialmente a Reciclar vai funcionar com 38 pessoas e a Renovar com 20. A Prefeitura vai doar 90 toneladas de lixo/mês para a reciclagem para uma e 50 toneladas/mês para outra, fora o que eles conseguirem junto à iniciativa privada, como supermercados, fábricas e outros. E a medida que eles aumentarem a quantidade de material recolhido, podem aumentar o número de associados. A prefeitura não será a “dona”, eles têm estatuto próprio e tudo direitinho. Cabe ao governo municipal fiscalizar.
Campos 24H– E como vão funcionar, na prática?
Jorge– O caminhão leva o material já prensado para a cooperativa, descarrega e eles fazem a triagem, separação de tudo, item por item (papelão, plástico, entre outros). A intenção é criarmos, no total, cinco cooperativas deste porte no município, ou seja, mais uma na margem direita do rio e duas na margem esquerda. E eles têm que se organizar, tudo com supervisão do governo municipal.
Campos 24H– Mas o senhor há oito meses também anunciou uma usina de reciclagem de entulho. Cadê?
Jorge – Está em obras, em fase de preparação do solo e deve ficar pronta em 60 dias. A usina vai funcionar na Codin, no antigo aterro controlado. Todo entulho recolhido ou entregue pela população será transformado e reaproveitado em pós de pedra, brita para recuperação de estradas vicinais. Em vez da prefeitura comprar o recife, ela vai fazer. Todo equipamento já foi adquirido, só faltando a conclusão da obra.
Campos 24H– Ainda falando em números, o recolhimento de pneus, um problema antigo na cidade, aumentou ou diminuiu?
Jorge – Claro que aumentou. E cada vez mais a pessoas procuram o nosso ecoponto de pneus, localizado na Codin, uma parceria da secretaria com a indústria Recicla Pneus. Semanalmente eram recolhidos cerca de 1.500 pneus, com uma média de 6 mil/mês e, agora, já são recolhidos 2.500/mês, num total de 10mil/mês.

Campos 24H– O senhor falou com empolgação das novas lixeiras subterrâneas que foram instaladas no Centro Histórico. As pessoas estão aderindo à ideia?
Jorge – Sim, cada vez mais, levando-se em conta que se trata de uma novidade. Montamos as duas primeiras e vamos implantar outras, provavelmente em outro local do Centro Histórico e nos condomínios, sem contar que a Câmara de Vereadores também já se interessou por fazer igual. Ela tem capacidade maior de armazenamento de material, 10 vezes mais do que os containeres e 30 vezes mais do que as lixeiras de poste. Mas nelas só podem ser colocados lixo orgânico (doméstico) e reciclados, não pode ser colocado entulho, por exemplo.
Campos 24H– Engraçado que todo mundo que passa ali observa. Mas poucos sabem como funciona…
Jorge– É simples. Ali na estrutura metálica tem uma espécie de caçamba subterrânea e um cesto de polietileno. O caminhão pega com a grua, suspende o cesto, joga no compactador e devolve o cesto à lixeira. Isso é feito uma vez por semana, de acordo com a necessidade. Agora vamos começar uma espécie de campanha de conscientização com panfletagem, incentivando o comércio que use cada vez mais as duas lixeiras subterrâneas.
Campos 24H– Mas, mudando de assunto, em período de chuva não posso deixar de falar dos bueiros entupidos…
Jorge– Olha, nossa equipe padrão percorre as áreas com limpeza pública e, concomitantemente, com a limpeza de bueiros, isso de 45 em 45 dias. O que acontece são problemas pontuais, como por exemplo, tampas de bueiros que são arrancadas pela população, o que faz acumular de forma muito rápida, uma quantidade grande de lixo naquela local. Sem falar nas pessoas que ainda teimam em jogar todo tipo de lixo na rua. Mas as pessoas podem ligar para a secretaria (2726-4345/2724-2158/2724-2168 qaue vamos até o local.
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Postado por Fabiano Venancio