Retorno do acervo do Monitor Campista ao município

quarta-feira, 16 de abril de 2014     –     Foto: Filipe Lemos / Campos 24 Horas

Câmara realiza umacerimônia especial para comemorar o retorno do acervo do Jornal Monitor Campista ao município

acervo Monitor 1 A Câmara de Vereadores de Campos realizou nesta quarta-feira (16) uma cerimônia especial para comemorar o retorno do acervo do Jornal Monitor Campista ao município. Por cinco anos, desde o fechamento do jornal, em novembro de 2009, as centenárias coleções ficaram na sede do Jornal do Commercio, no Rio, de propriedade do Diários Associados, que assinou um contrato de doação do acervo com a Câmara. Futuramente, o acervo, que tem 273 volumes, será levado para o Arquivo Público Municipal.

acervo monitor 2Na ocasião, foi aberta a exposição “Memorial do Monitor Campista”, que poderá ser visitada até o dia 30 de abril no foyer da Câmara, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h. Além de painéis impressos que contam a história do jornal por meio de cadernos especiais dos aniversários de 173, 174 e 175 anos, estão expostos alguns objetos e materiais da redação e da oficina do Monitor desde suas linhas industriais antigas ainda sem a tecnologia dos tempos atuais. Houve apresentação da banda do 8º Batalhão de Polícia Militar e da Ong Orquestrando a Vida, seguido de coquetel.

Em seu discurso, o presidente da Câmara, vereador Edson Batista, destacou a união entre o Legislativo, Executivo, Associação de Imprensa Campista (AIC) e Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal (Coppam) para tornar realidade a volta do acervo. “Sem força política esse momento não teria acontecido. Quero destacar o apoio da prefeita Rosinha Garotinho nessa luta”.

Foram homenageados com uma placa comemorativa, o presidente da Associação de Imprensa Campista (AIC), Vitor Menezes, presidente do Conselho de Preservação do Patrimônio Arquitetônico Municipal (Coppam), professor Orávio de Campos Soares, e o secretário de Governo, Suledil Bernardino, que representou a prefeita Rosinha Garotinho.

Edson Batista disse ainda que na negociação com o grupo dos Diários Associados, a Câmara deixou claro que a volta do acervo não era uma vontade do presidente do Legislativo ou da AIC, mas de toda uma cidade. “O acervo é nosso e tem que voltar para Campos como um patrimônio do município”.

Edson Batista disse que as negociações para o retorno a Campos foram duras e tensas, marcada por alguns passos à frente, mas alguns obstáculos que foram finalmente superados.

“Tivemos que cumprir algumas exigências, um passo a passo quando à preservação do acervo, mas logramos êxito na nossa missão porque fizemos ver que era um desejo de toda sociedade. Vamos trabalhar agora para que todo o material seja digitalizado e esteja disponível na internet. A Biblioteca Nacional dispõe de parte do acervo microfilmado e vamos tentar uma cópia desse material”, acrescentou ele, destacando que o próximo passo será a cessão do uso da marca Monitor Campista.  “Não há nada definido, mas nossa intenção é que o Diário Oficial do Município tenha a logomarca Monitor Campista”.

O presidente citou também algumas coberturas importantes feitas pelo jornal, como a da Proclamação da República. Criado em 4 de janeiro de 1834, o jornal já teve outros nomes, Novo Recompilador Campista e o Monitor. Sua redação foi a primeira a ser beneficiada com energia elétrica, em 24 de junho de 1883, antes das empresas do Brasil e da América do Sul.

Vitor Menezes agradeceu a parceria com a Câmara para a volta do acervo. “Nossa luta agora é pelo retorno das atividades do jornal. A ideia é criarmos a Fundação Monitor Campista em parceria com o poder público”, afirmou ele, destacando o Monitor foi o terceiro jornal mais antigo do país em circulação e precisa voltar a circular. “É possível retomarmos da última edição, 15 de novembro de 2009, que trouxe como manchete “Um dia que ficou na história”.

Para o professor Orávio de Campos, o momento foi de festa e sensação do dever cumprido. “Não é apenas um acervo, mas um patrimônio. Toda a cidade está de parabéns, principalmente Dr. Edson pelo trabalho e apoio no desenvolvimento da cultura do município”.

Já Suledil Bernardino disse ter ficado feliz ao tomar conhecimento que a Câmara havia iniciado uma luta pelo retorno do acervo. “É preciso esclarecer que o fechamento do jornal foi decorrente de um briga judicial do Monitor com um concorrente de outro grupo de comunicação”, ressalvou.

Helvio Cordeiro, que trabalhou por 20 anos no jornal, lembrou que antes a impressão era manual. “O jornalista escrevia o texto e tínhamos que compor letra por letra”.

A exposição tem a curadoria de Wellington Cordeiro, pesquisa de Patrícia Bueno e colaboração de Enockes Cavalar, Helvio Cordeiro, Sebastião Guerra e Wellington Paes.