Trianon: Rosinha não vetou “Bonitinha, mas ordinária”

quarta-feira, 10 de julho de 2013  –  Foto: arquivo

Superintendente afirma que  “a prefeita Rosinha não teve acesso à agenda do Trianon”

trianon 2013O superintendente do Teatro Municipal Trianon,  João Vicente Alvarenga, divulgou uma nota de esclarecimento nesta quarta-feira(10/07),  sobre informações divulgadas de que a Prefeitura de Campos havia barrado a peça teatral “Bonitinha, mas ordinária”, de autoria de Nelson Rodrigues, em virtude de questões de caráter religioso.

Confira a nota

“Cumpre-nos informar que não há nenhuma verdade nas alegações do grupo teatral 8 de Paus. O fato é que em reunião de rotina com diretores e a presidente da FCJOL observei que a peça “Bonitinha, mas ordinária” apresentava inconsistência na documentação apresentada, sugerindo sua análise posterior para aproveitamento no cronograma do Departamento de Literatura da Fundação Cultural, na medida em que não havia compromisso consolidado em contrato.

A prefeita Rosinha não teve acesso à agenda de agosto do Teatro Trianon, que não se encontrava fechada, e, portanto, não se posicionou a respeito de seu conteúdo. Cabe ressaltar que a administração pública é laica e que o fato da Prefeita ser evangélica não nos impediu de pontuar os atos culturais de forma múltipla, diversa, e respeitosa, apoiando realizações como a do Carnaval, grupos de Jongos e Mana Chica (manifestações afro-religiosas), festas tradicionais da Igreja Católica ou eventos por esta religião promovidos, como a da Jornada Mundial da Juventude, entre tantas outras.

Para nós, tanto Nelson Rodrigues, como qualquer outra expressão do teatro, da literatura, das artes em geral, tem sua importância. Entendemos que a palavra ganha no teatro conotações múltiplas através do jogo metafórico que se instaura em cena.

Recebemos no Trianon a comédia “Hermanoteu  na terra de Godah”, que conta a história de Hermanoteu,  típico hebreu do ano zero, companheiro, bom pastor e obediente. Ele recebe a missão divina de guiar seu povo à terra de Godah, numa sátira à história bíblica de Moisés.  A pré estreia de “Maria do Caritó”, protagonizada pela atriz Lilia Cabral e tantas outras obras importantes e consagradas, independente de referências religiosas, ganharam espaço. Tal fato nos conduz a seguinte reflexão: o verdadeiro preconceito e a intolerância podem estar se apresentando de forma invertida.

Atenciosamente,

João Vicente Alvarenga

Superintendente do Teatro Municipal Trianon/FCJOL –  Prefeitura de Campos