Os transtornos sociais do programa Morar Feliz “As Casinhas de Rosinha”

Nesse artigo vou elencar os cinco principais problemas que afetaram a vida cotidiana das pessoas com danos irreparáveis.




Atualizado em 03/10/2019 02h02



 

O programa morar feliz desenvolvido pelo governo da ex-prefeita Rosinha Garotinho além de ter sido alvo de diversos escândalos de corrupção, que inclusive culminou na prisão do casal recentemente, virou um grande problema de segurança pública no município de Campos dos Goytacazes. Além de ter desorganizado a vida social das pessoas “beneficiadas” pelo programa.

e /> Em 2013, tive a oportunidade de desenvolver uma pesquisa financiada pela FAPERJ sobre a orientação do Prof. Dr. Geraldo Timóteo da UENF, onde foram pesquisados os “Novos Territórios Urbanos”. O foco da pesquisa era o programa morar feliz. Fazer uma avaliação das mudanças ocorridas na vida das famílias removidas de locais de risco e realocadas nas casas.

Os diagnósticos apresentados pela pesquisa foi vasto, visto o enorme banco de dados gerado durante o trabalho. Nesse artigo vou elencar os cinco principais problemas que afetaram a vida cotidiana das pessoas com danos irreparáveis.

          A – Sem uma visão estratégica de segurança pública, a equipe responsável não soube lidar com o território tomado pelo tráfico e facções rivais, que se instalaram nas casas e até hoje aterrorizam a vida dos moradores aumentando de forma incalculável a violência para quem mora no entorno dos conjuntos habitacionais. Se você olhar o mapa de assassinatos na cidade, os territórios do programa morar feliz batem recorde de homicídios.

           B – Os vizinhos não são mais os mesmos. As classes populares dependem muito de laços de confiança construídos socialmente para viver. Muitas vezes são os vizinhos que arrumam um emprego, cuidam de um filho, emprestam um carro, ou até mesmo coisas mais simples como fazer o cabelo uns dos outros, emprestar uma ferramenta, etc. O problema que não se pensou na importância de se manter a mesma vizinhança. Algumas famílias que viveram a mais de 30 anos sendo vizinhas foram colocadas em distâncias que se tornou impossível o mantimento dos laços sociais. Ou Seja, os laços fortes que mantinham o funcionamento da vida social desses indivíduos, se tornaram laços fracos.

            C – A falta de estrutura no local de criação dos conjuntos habitacionais. Por exemplo os conjuntos da Tapera sequer tinham estrada para passar ônibus. Não teve ligação de luz com relógios individuais e nem criação de praças, escolas e creches para atender esse público que se distanciou do centro.

D - Famílias que tinham comercio no local das remoções, não tiveram a construção de comércios nos conjuntos habitacionais, tendo que improvisar no quintal de casa um puxadinho para sustentar sua família.

E – A falta de incentivo a organização comunitária. A prefeitura na época não fez nenhum tipo de trabalho de fortalecimento de vínculos sociais para que as pessoas pudessem de forma organizada, se sentirem pertencente de um novo espaço social. Muitas pessoas desistiram de morar nos conjuntos e desfizeram das suas casas por vários desses motivos que listamos acima.

Hoje tentam vender a ilusão que no passado essas casas foram uma perfeição, mas quem conhece de perto a situação, sabe a quantidade de dinheiro público jogado fora, manchetes nos jornais de casos de corrupção e falta de organização para dar uma melhor qualidade de vida aos beneficiados do programa.

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