27/07/2022, 17h47, Foto: Divulgação

A Secretaria Municipal de Saúde de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, confirmou o 1º caso de varíola dos macacos (monkeypox) no município. O paciente – homem, jovem e idade não informada –  esteve recentemente em viagem. Ele não precisou de internação e se recupera bem. Segundo o Dr. Frederico Reis Bastos, urologista, o paciente tomou uma série de cuidados. “O paciente super bem orientado, chegou aqui com essa suspeita e ele mesmo teve o cuidado de evitar contato, cuidado de zelo, de tudo; e a partir do momento que ele percebeu, que o parceiro tinha tido lesões de pele na cidade de origem, procurou por ajuda médica. O nível de consciência do paciente foi altíssimo, o cuidado que ele teve foi altíssimo também”, comenta o médico. (leia mais abaixo)


Ainda segundo o urologista, o paciente foi isolado na própria residência. “O isolamento foi feito em casa, um isolamento domiciliar e eu mediquei e controlei à distância, com a ajuda de outros colegas, tratando sintomaticamente. Precisei usar antibiótico para as feridas de pele infectada na segunda fase da doença, mas consegui controlar remotamente, sem precisar de internação hospitalar”, diz.(leia mais abaixo)


Segundo a secretaria, o paciente está bem e na fase final da doença, em recuperação, como relata o médico. “Ele está na fase final da doença, entrou na terceira semana. As lesões já saíram das crostas para cicatrizes, então é a hora que ele para de transmitir. O período de transmissão da doença ocorre quando existe a lesão ativa na pele. E o contato não é a única forma de transmissão. A transmissão acontece através de secreções corporais, isso ocorre através do suor, roupa de cama íntima; o paciente quando é isolado precisa ter o cuidado com a própria roupa. É uma doença que se dissemina pelo contato, e também existe contaminação respiratória em menor número; e para haver uma contaminação respiratória, requer que exista um contato prolongado com o doente no mesmo ambiente”, complementa.(leia mais abaixo)


O Dr. Frederico explicou ainda como deve ser realizado o procedimento, junto a pessoas que tiveram algum contato com a pessoa infectada. “A primeira fase é entender se as pessoas tiveram contato com um caso suspeito ou um caso confirmado. O caso confirmado é o caso PCR Positivo, ele já fez o teste e detectou positivo. O caso suspeito tem a clínica, história epidemiológica compatível com monkeypox e ele é tratado da mesma maneira como caso confirmado, até que sai o resultado laboratorial. Esses pacientes contactantes são isolados por 7 dias, que é o período que você espera que surjam as lesões e caso surja a lesão em até 7 dias, segue o isolamento por 21 dias. Se não surgir lesão por 7 dias, segue medindo a temperatura; pelo menos duas vezes por dia, durante 21 dias”.(leia mais abaixo)


De acordo com o médico, essa é uma doença que se comporta como se fosse uma gripe. “A primeira fase dela é dor, artralgia, mialgia; surge como se fosse uma gripe, com a presença de febre também. E no segundo momento da doença acontece as erupções cutâneas, são as lesões que podem surgir do centro do corpo perifericamente ou a doença está mudando, ela pode surgir como lesões genitais. Aproveito o gancho para falar duas coisas: essa doença existe há muito tempo. Ela é endêmica, da região do Congo na África Central. Essa doença é controlada e tratada, mas o que mudou nessa doença?! Primeiro, mudou que ela está em 75 países, o aspecto epidemiológico; ela foi para lugares onde não existia. Segundo, a manifestação clínica dela, agora, já não é mais a mesma também. Ela já tem uma manifestação clínica, com certo grau de atipia, de diferença entre a doença original. Ela, às vezes, está começando como se fosse uma DST, uma doença genital, sexualmente transmissível; mas via de regra ela acontece como se fosse o início de febre, mialgia, artralgia e posteriormente as lesões cutâneas”, reforça.(leia mais abaixo)


É importante destacar que a contaminação, mais comumente vai acontecer através do contato, da ferida; e, menos comumente, através de contato indireto, como por exemplo, através da roupa de cama, roupa usada do paciente, suor, e pela via respiratória (que é menos frequente), pois, requer exposição prolongada no mesmo ambiente. A Secretaria Municipal de Saúde pensou em dois objetivos principais em relação a informação sobre monkeypox. “Na construção da informação sobre a doença pensamos em dois objetivos principais, visando alertar o médico que vai realizar o diagnóstico, por que sem a detecção precoce não existe controle de surto; o paciente não é colocado em isolamento, e continua transmitindo por contato de forma direta e indireta, e é uma doença altamente contagiosa. E o segundo objetivo informar a população, pois, existe uma doença em curso; não é uma doença restrita a um grupo de comportamento sexual, ou seja, é uma doença de contato que qualquer ser humano pode ter. Existe uma alta incidência nesse grupo específico de perfil sexual HSH [homens que fazem sexo com homens] e esse grupo precisa ser informado de forma a se proteger e se prevenir, evitando a propagação rápida da doença. Se houver um controle objetivo desses pontos, o surto vai ser controlado”, finaliza Dr. Frederico.(leia mais abaixo)


A secretária Municipal de Saúde, Adriana Levone, informa que a equipe da Secretaria vem acompanhando as notas técnicas da ANVISA, FIOCRUZ, bem como as informações da OMS, Ministério da Saúde e demais entidades que estudam a doença. “Nossos profissionais estão buscando informações sobre o assunto e nós estamos sempre em contato com a Secretaria de Estado de Saúde, objetivando uma informação de qualidade. Já sabemos que a detecção precoce, instrução e o isolamento do caso diagnosticado são formas de conter a doença. Pretendemos ampliar essa gama de informações junto aos nossos médicos, preparando-os para que possam diagnosticar a doença com mais rapidez, além de trabalharmos na divulgação de informações oficiais junto à sociedade. Vale reforçar que o paciente em questão está na fase final de recuperação, com as cicatrizes secando, sem riscos de contaminar outras pessoas, ou seja, não há motivos para que a população se desespere”, finaliza a secretária.


*Fonte: Ascom

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