Buscar:

Envie textos e fotos: Watsssap (22) 9 9709-9308

}

Lavagem de dinheiro: Polícia Civil faz megaoperação e cumpre 46 mandados

Crimes através vales refeição e alimentação, alem de transporte de trabalhadores

04/10/2017 19h33 | Foto: Ascom

A Delegacia de Defraudações da Polícia Civil realizou, nesta quarta-feira (04), uma megaoperação de combate à lavagem de dinheiro, obtido de forma ilícita com a compra de vales refeição, alimentação e transporte de trabalhadores do estado do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, que começaram há três meses, os grupos criminosos usavam empresas fantasmas, de fachada e “laranjas” para movimentar as quantias recebidas com a compra de tíquetes em escritórios espalhados pela cidade do Rio e Região Metropolitana. Apenas uma das quadrilhas investigadas movimentou mais de 12 milhões e meio de reais em dois meses.

Cerca de 150 policiais civis de delegacias especializadas cumpriram 46 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu, em endereços comerciais e residenciais nos bairros de Copacabana, Botafogo, Largo do Machado, Centro, Jacarepaguá, Campo Grande e Bangu, na capital, e ainda nas cidades de Nova Iguaçu, Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Mesquita e Nilópolis, na Baixada Fluminense, e em Londrina, no Paraná. Os agentes apreenderam mais de R$ 121.700,00, 146 maquininhas de cartão, mais de 2 mil cartões alimentação, refeição e de transporte, além de computadores, celulares, panfletos, cadernos de contabilidade, planilhas, totens e cartazes, pen drives, documentos, escrituras de imóveis, contratos sociais diversos, balanças de precisão, joias e recibos. Mais de 30 pessoas foram levadas para a delegacia para prestar depoimento. Os envolvidos no esquema serão indiciados por lavagem de dinheiro, associação criminosa, falsidade ideológica e crime contra a economia popular.

A 1ª Fase da Operação Fantoche, que faz alusão à fraude, manipulação, articulação e toda a ilusão de que o trabalhador está tendo vantagem com as transações, foi realizada em parceria com a Divisão de Laboratório de Combate à Lavagem de Dinheiro e à Corrupção do Ministério Público do Rio. Ao todo, cerca de 90 pessoas físicas e jurídicas, com movimentações financeiras atípicas e com faturamento que não condiz com o faturamento e com o porte dos estabelecimentos, estão sendo investigadas.

De acordo com as investigações, criminosos, chamados de “tiqueteiros”, abrem empresas de fachada do ramo alimentício para conseguir, com as operadoras de cartão, maquininhas que aceitam vale alimentação e refeição. Eles, então, enviam esses equipamentos para escritórios, que, geralmente, também comercializam ouro, onde é feita a compra dos benefícios dos trabalhadores. Muitos nem se preocupam em esconder a ação criminosa e usam cartazes e placas para divulgar a comercialização dos tíquetes. Por cada transação, é cobrada do trabalhador uma taxa que varia de 15% a 18%. Parte dessa quantia fica para o escritório e a restante vai para os responsáveis pelas empresas fantasmas e de fachada, que transferem os valores para empresas legais, pessoas físicas e até instituições religiosas.

Há casos, por exemplo, de uma distribuidora de alimentos registrada em um endereço que não existe e que movimentou mais de 700 mil reais em um mês; de padarias que não têm sequer um funcionário e movimentaram mais de 1 milhão de reais por mês; e de uma mercearia que, no mesmo período, fez transações de mais de 2 milhões de reais, incompatíveis com seu faturamento. Há ainda três lanchonetes que figuram como ativas e estão registradas todas no mesmo endereço; uma pizzaria que não tem nenhum funcionário, mas movimentou em um mês mais de meio milhão de reais; e uma fornecedora de produtos alimentícios, que consta como dono um pedreiro e que está registrada em um endereço onde funciona, de fato, um escritório de compra e venda de ouro e vales.

No caso dos vales transporte, o esquema é diferente. Os trabalhadores deixam nos escritórios seus cartões. Estes são recolhidos por atravessadores, que os levam até empresas de ônibus e vans coniventes com o esquema, onde os créditos são descarregados. A taxa cobrada do trabalhador na transação chega a 50%. Desses, parte fica com a viação, uma com o dono do escritório e outra com o atravessador. O bilhete é devolvido ao trabalhador dias depois. Em alguns escritórios, o tempo para devolução do vale transporte chega a 30 dias úteis.

Durante três meses, escritórios do Rio e da Região Metropolitana foram monitorados pelos investigadores da Delegacia de Defraudações da Polícia Civil. Essa é apenas a 1ª Fase da Operação Fantoche. As investigações continuam para identificar outros integrantes dos grupos criminosos e outras quadrilhas envolvidas no mesmo tipo de crime. A polícia alerta que os trabalhadores que vendem seus benefícios estão cometendo uma ilegalidade e podem ser demitidos por justa causa.

Compartilhe

Anuncie Conosco

(22) 9 9709-9308

E-mail: